Descubra as diferenças entre as provas
do Cespe, Esaf e Fundação Carlos Chagas
Vida de concurseiro não é nenhum mar de rosas. Longe disso. Além de
criar e se adaptar a uma rotina de estudos e eventuais fracassos, os
estudantes ainda têm que enfrentar provas que, mesmo tratando dos mesmos
assuntos, podem ser extremamente diferentes. Gustavo Villaça, 26 anos,
estuda para concursos desde novembro de 2006 e já aprendeu alguns
macetes. Mas quem está começando agora pode pegar carona nas dicas de
Gustavo e dos professores de cursinhos para conhecer melhor três grandes
bancas organizadoras: Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe),
Escola de Administração Fazendária (Esaf) e Fundação Carlos Chagas (FCC).
Gustavo se formou em direito no final do ano passado, mas enfrentou o
primeiro concurso um ano antes. “Queria já sair do curso com emprego
garantido. Como leva um bom período até que chamem para assumir a
função, eu teria tempo de me formar e assumir um cargo de nível
superior”, explica. De lá para cá, ele já enfrentou provas das três
organizadoras e é capaz de traçar um perfil básico dos tipos de
avaliações, ao menos na área jurídica. “A prova da Esaf é mais difícil
porque cobra detalhes, coisas específicas da lei. A do Cespe é mais
contextualizada e exige uma noção geral, enquanto que, para a prova da
FCC, o mais importante é ler a legislação”, compara.
E os professores concordam. Rafael Vasconcellos, professor de direito e
processo civil em alguns cursos preparatórios da cidade, aponta que é
necessário conhecer tanto a legislação quanto a doutrina e
jurisprudência para fazer uma prova do Cespe, vinculado à Universidade
de Brasília. “Não vale a pena focar os estudos só em doutrinas, por
exemplo. É sobre o tripé que o candidato alcançará a aprovação”, indica.
Segundo o professor Gladson Rodrigues, coordenador dos preparatórios
jurídicos da Vest Concursos, as provas da FCC seguem linha parecida. “É
importante contar com a ajuda de um professor ou ter à mão o livro de um
doutrinador durante os estudos para um concurso da Carlos Chagas”,
ressalta.
Quanto às provas da Esaf, o professor Vicente Paulo pode falar com
conhecimento de causa. Coordenador do site Ponto dos Concursos e autor
de obras jurídicas na área, ele também trabalha em seleções feitas pela
Escola Fazendária, subordinada ao Ministério da Fazenda. “A Esaf
prioriza a cobrança dos conceitos de forma direta, isoladamente, e em
enunciados sintéticos. Em direito, um ponto que se destaca é a cobrança
da jurisprudência, especialmente do Supremo Tribunal Federal”, afirma.
Segundo o professor, manter a jurisprudência dos tribunais plenos
atualizadas já garante meio caminho andado.
Mas, muitas vezes, o que apavora é o modelo de prova comumente usado
pelo Cespe. Em vez de escolher uma entre as cinco alternativas, como nas
questões da Esaf ou FCC, o candidato deve julgar um a um os itens das
questões, e cada erro anulará acertos na conta da nota final. O
professor Jake do Carmo, coordenador de negócios do Cespe, esclarece que
a banca também pode realizar avaliações de múltipla escolha de acordo
com o pedido do órgão contratante, mas defende a opção pela prova de
itens. “Assim, contextualizamos o exame abrangendo o conteúdo de maneira
mais completa. E podemos constatar se o candidato realmente entende o
assunto sem contar com a sorte”, explica.
É ASSIM QUE SE FAZ
CENTRO DE SELEÇÃO E PROMOÇÃO DE EVENTOS
- Abranja legislação, doutrina e jurisprudência nos estudos para provas
jurídicas. Não vale a pena focar em um dos três, as provas costumam
exigir conhecimento amplo, uma visão geral
- Estude as questões subjetivas de provas passadas. Tente identificar os
temas mais recorrentes em sua área e busque se antecipar. Ao perceber
que algum assunto pode ser o tema de sua prova, faça um rascunho da
estrutura do texto que você poderia desenvolver
- Faça a prova com bastante atenção e evite marcar quando não tiver
certeza. Uma boa é fazer primeiro os itens que você sabe responder.
Depois, volte naqueles mais complicados. Assim, você administra melhor o
tempo
- Não deixe de ver noções de probabilidade, princípios de contagem,
lógica de argumentação, porcentagem e grandezas proporcionais. Eles são
recorrentes em provas de matemática e raciocínio lógico
FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS
- Use o livro de um doutrinador durante os estudos para provas
jurídicas, ou conte com a ajuda de um professor. As questões tendem a
dar ênfase às questões doutrinárias. Então, não basta apenas ler as leis
- Avalie atenciosamente as alternativas em cada questão. Muitas vezes, a
resposta pode ser apontada indicando o item “menos errado”. Você vai se
familiarizar com isso vendo provas anteriores
- Insista nas questões que apresentam seqüências de números e/ou letras
e figuras e as relacionam com grandezas proporcionais, mínimo múltiplo
comum, máximo divisor comum, divisão proporcional, porcentagem e juros.
São as mais comuns em raciocínio lógico e matemática
ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO FAZENDÁRIA
- Acompanhe a jurisprudência dos tribunais, principalmente a do Supremo
Tribunal Federal. Até pontos polêmicos e que ainda estão em discussão
podem aparecer na prova
- Treine respostas para questões subjetivas em provas anteriores. Busque
(na internet ou com conhecidos) a planilha usada na correção dessas
questões e corrija suas respostas de acordo com ela. Dessa forma, você
descobrirá os pontos que precisam ser fortalecidos em seu texto
- Avalie com atenção as alternativas em cada questão. Muitas vezes, a
resposta pode ser apontada indicando o item "menos errado". Você vai se
familiarizar com isso vendo provas anteriores nos estudos
- Aborde questões de lógica com orações e conectivos (e, ou, se, somente
se) nos estudos sobre matemática e raciocínio lógico. São as preferidas
para a área. Também costumam entrar probabilidade, análise combinatória,
regra de três e porcentagem
Fonte: CorreioWeb
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