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Especialistas apontam os cuidados para participar de seleções de cadastro reserva


 

O tempo e o dinheiro investidos para ingressar no funcionalismo público deixam muitos candidatos de veias saltitando. Pior: em alguns casos, o estresse não termina com a aprovação. É o que ocorre com os candidatos de concursos que prevêem formação de cadastro reserva, quando os órgãos, para evitar um problema de falta de pessoal, selecionam profissionais mesmo sem ter vagas disponíveis. O resultado é que o tempo de espera para a convocação é indeterminado. E, em alguns casos, ela nem acontece.

“É inevitável. É um direito dos órgãos. Mas eles nem sempre cumprem o prometido”, reconhece Jona Nere, coordenador do cursinho preparatório Processus. O tempo máximo de espera costuma ser de quatro anos – a maioria das seleções tem duração de dois anos e pode ser prorrogada pelo mesmo período. Tanto os concursos com cadastro reserva quanto os de contratação imediata geram apenas expectativa de contratação. Não existe lei que obrigue as instituições a contratar os aprovados.

Segundo o deputado federal Augusto Carvalho (PPS-DF), autor de um projeto que prevê o Estatuto dos Concursandos, a formação de cadastro reserva é vantajosa para os órgãos. Isso porque, dessa maneira, eles não precisarão fazer outro concurso para preencher vagas que aparecerem durante a validade da seleção. “Como reduz custos, já que o material é o mesmo e não são necessários novos contratos, a transparência do poder público não é comprometida”, opina o parlamentar.

Bancos
Seleções para cadastro reserva são muito comuns entre os bancos: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, são adeptos da prática. Na maioria das vezes, o número de postos para contratação imediata sequer é anunciado, mesmo se houver estimativa de quantos serão chamados. A assessoria do BNDES reconhece: aprovação não é sinônimo de garantia de emprego, pois nem sempre haverá vagas suficientes.

Rodrigo Negreiros, de 25 anos, por pouco não ficou de fora. A um mês do vencimento do concurso, ele foi convocado pelo BNDES – a prova foi em 2005. “Não é legal ficar esperando, mas eu já sabia que poderia passar por isso”, lembra o técnico de comunicação, nomeado há seis dias. Fábio Lima, também de 25, continua de molho. Formado em história, ele prestou concurso em 2006 para o cargo de divulgador e promotor da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Havia cinco vagas imediatas. Fábio chegou em oitavo. “É ruim passar perto e não ser chamado”, lamenta. A Biblioteca já chamou o sexto aprovado. Fábio pode ser contratado até meados de 2008.

Cuidados
Coordenador do cursinho preparatório Santos Dumont, Roberto Benon critica o cadastro reserva. “‘E agora? E o meu prejuízo?’ É assim que os alunos pensam quando não são chamados”, diz. Ele afirma que os candidatos sofrem com os altos gastos com cursinhos e taxas de inscrição. “A expectativa de aprovação é muito grande. E a responsabilidade das instituições que não chama os aprovados? Como é que isso fica?”, critica.

Benon aproveita e faz um alerta. “Para se precaver, é importante que eles saibam qual a empresa organizadora do concurso”, aconselha. Ele diz que é fundamental as pessoas conhecerem os detalhes do concurso para que hão haja suspeitas sobre o número de postos. Segundo Edmilson Caires, coordenador do Curso Opção, só há uma saída: estudar, independentemente de haver previsão de cadastro reserva. “Assim, as pessoas ficam mais motivadas”, diz. Ele também recomenda que não se deve centrar esforços em uma única seleção.

Juracy Oliveira segue a cartilha. Funcionário de uma companhia de gás, ele calcula ter feito 10 concursos, e ainda aguarda a nomeação para o cargo de agente administrativo da Secretaria de Gestão Administrativa do GDF. “Há muita vagas, acredito que serei chamado. A idade vai chegando e a gente pensa em estabilidade”, explica Juracy, de 33 anos. Ele fez a prova no fim de 2004.


Fonte: CorreioWeb

 

 

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