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Por Willian Douglas
Persistência? Hummm, depende pra quê!
Acho que a pessoa deve persistir em busca do que é bom para si ou para o planeta
(depois
de decidir o que é bom para ela ou para o planeta...). É bom progredir, vencer,
se realizar, terminar um projeto, mas... isso não vale para conseguir coisas
aparentemente boas mas que são ilusórias. Não devemos persistir no erro, no
sofrimento inútil, nos sonhos destemperados, nas quimeras. E entre as coisas a
não merecerem nossa insistência está ser famoso, melhor que os outros, conseguir
colocar os pés na Lua.
Ligia Fagundes Telles, em Ciranda de Pedra, nos alerta para não ficarmos tão
preocupados
com grandes feitos, e diz (texto adaptado por Elenita Rodrigues): "É preciso
amar o inútil.
Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher
rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em
troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos
caminhos curvos que se encontram as melhores coisas. A música ... Este céu que
nem promete chuva ... Aquela
estrelinha que está nascendo ali... está vendo aquela estrelinha? Há milênios
não tem feito nada, não guiou os Reis Magos, nem os pastores, nem os marinheiros
perdidos... Não faz nada. Apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma
estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a Beleza. No
inútil também está Deus."
Há um pensamento que diz que nos portos os navios ficam seguros, mas não foi
para isso
que eles foram feitos. Creio que precisamos içar as velas e ir para o mar... mas
escolhendo antes as rotas, e até alterando-as, mas sempre indo em direção a
coisas boas, e modestas. Não precisamos descobrir a América ou um novo caminho
para as Índias. Basta curtir a viagem.
Fonte:
CorreioWeb
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