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Boa formação e conhecimento aprofundado podem ser decisivos


  

Por Ana Clara Brant

 

Prestar concurso público nunca havia passado pela cabeça do contador Márcio Micheli, 31 anos. Até que um dia, observando um edital, ele se interessou pelas atividades exercidas por um dos cargos ofertados. "Trabalhava em uma empresa privada e nem pensava em seguir a carreira pública. Um dia, vi o edital da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e percebi que as atividades eram muito parecidas com as que eu exercia na empresa em que trabalhava. Aí me interessei. Nem estava pensando em concurso, em seguir carreira pública, não estava estudando para isso", lembra.

Micheli estava se dedicando com afinco à sua especialização em finanças e decidiu se inscrever para o certame da ANTT. Por coincidência, muita coisa do conteúdo cobrado pela prova era similar ao que ele estava estudando na pós-graduação. Fez o concurso e a surpresa: foi aprovado. "Eu não esperava mesmo passar; não tinha experiência de concurso. Não sabia de nada, fiz por fazer. Mas muita coisa do que foi cobrado eu já estava estudando na minha especialização e fazia parte também do meu dia-a-dia na empresa em que atuava", conta.

Pode parecer que o caso de Márcio Micheli seja raro, mas acontece. Embora a maioria das pessoas acredite que um concurseiro só consegue passar após 2, 3 anos de muito estudo, alguns especialistas refutam essa teoria. Para o professor de atualidades e técnicas de estudo de um cursinho de Brasília, Júlio César Meguerian, o tempo de aproveitamento de estudos é muito relativo e depende de indivíduo para indivíduo. "Pode ter gente que passa de primeira em um cursinho ou alguém que em poucos meses, já consegue um cargo de destaque. Isso varia. Cada um é cada um. Tem pessoas que estão nesta lida há anos, mas não sabem estudar. Por outro lado, têm os que aproveitam cada minuto do seu tempo, mesmo que ele seja mínimo, e estuda de uma maneira objetiva. Não existem regras. O caso desse aprovado é um exemplo. Ele já tinha uma boa formação na área em que pretendia passar, estava estudando o mesmo conteúdo cobrado no concurso e tudo isso colaborou", avalia Júlio César.

Márcio Micheli não tem queixa alguma com relação ao serviço público e, hoje, os concursos fazem parte cada vez mais da sua vida. Além de servidor da ANTT, dá aulas de contabilidade em um cursinho e convive diariamente com as aflições e sonhos de quem quer chegar onde ele está. Mas o contador e professor deseja mais. Quer passar em um dos mais disputados certames: o do Tribunal de Contas da União (TCU). "Agora, meu foco é o TCU (o edital está previsto para abril). É o concurso que, se eu passar, não tento mais nenhum. Mais do que os altos salários, me impressionei, sobretudo, com a qualidade de vida que se tem no serviço público. Não volto para a iniciativa privada nem que me paguem o dobro. Qualidade de vida não se mensura em dinheiro", destaca.
 

 

Fonte: CorreioWeb

 

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