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Para quem pensa que dominar as matérias é garantia de sucesso em concurso, aí
vai o recado: pelo menos metade dos melhores candidatos -- aqueles aprovados na
primeira fase --, são derrubados nas provas subjetivas. E o vilão de tantos
fracassos não poderia ser outro senão a língua portuguesa. Afinal, escrever bem
é algo que vai além de usar palavras bonitas: é preciso pensar com clareza, e
organizar, de forma concisa, os argumentos. "As provas subjetivas têm puxado o
tapete de muita gente boa", observa o coordenador de um curso preparatório de
Brasília, Claúdio Farig.
Segundo os professores ouvidos pelo Correio, as pessoas dão pouca importância à
dissertação. Não sabem como abrir uma redação, nem articular as idéias de forma
organizada, tampouco elaborar um texto, com desenvolvimento e conclusão. "Quando
a redação pede um tema técnico então, o candidato se atrapalha mais, tentando
mostrar que estudou. Mas é aí que ele se esquece de valorizar a forma", avalia o
professor de língua portuguesa de um cursinho preparatório, Ronaldo Silva.
O bom desempenho na prova subjetiva é um termômetro importantíssimo para o
examinador. "Esse tipo de exame testa a organização mental e textual do
candidato, bem como os conhecimentos que ele tem sobre o mundo que o cerca. As
bancas procuram candidatos que saibam o que está ocorrendo no mundo e consigam
emitir opiniões, de forma organizada", explica o professor de português Diego
Amorim.
Não cair na tentação do rebuscamento é outra maneira de afastar possíveis erros.
"Em geral, é melhor não utilizar palavras incomuns, mas se a opção for por
usá-las, é preciso ter total domínio tanto do significado quanto da ortografia",
esclarece Silva.
Na prática
O caminho para desenvolver o domínio sobre a escrita não seria outro senão
treinar, e muito. "Somente a prática coloca o candidato mais perto da perfeição
escrita", diz Amorim. Outro hábito que melhora a habilidade na hora de escrever:
leitura. "Quem quer escreve bem deve ler muito e sobre tudo, de jornais e
revistas semanais -- que trazem artigos de opinião e editoriais -- à literatura,
de autores consagrados, que melhora o vocabulário e enriquecem a cultura geral",
ensina o professor. "A leitura é essencial para conquistar vocabulário extenso,
capacidade de análise crítica, domínio sobre os assuntos relevantes,
discernimento sobre as características gramaticais e sobre as tipologias
existentes", pontua a professora Selma Frazão.
Fonte: CorreioWeb
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