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Disciplina e coragem são combustíveis essenciais de quem quer chegar lá


  

Por Lígia Maria Lopez

 

O treino exaustivo e a disciplina sempre foram os ingredientes dos campeões. Michael Jordan, por exemplo, antes de se tornar o maior armador do basquete mundial, praticava as enterradas de bola, horas a fio, no quintal de sua casa. E mesmo depois que se transformou numa estrela da NBA, não foi diferente: era o primeiro a chegar e o último a sair do treino.

E a vida de concurseiro ambicioso segue o mesmo modelo, ainda que o ritmo seja diverso. Afinal, a seara das seleções públicas também é extremamente competitiva. "Concurso é uma competição com os outros e consigo mesmo", filosofa André Luiz Chaves Rocha, 31 anos. "O maior concorrente da pessoa é ela mesma", concorda o coordenador de um cursinho da Asa Norte, Luciano Frazão.

Ex-atleta, Rocha levou para os estudos a disciplina férrea que aprendeu no esporte em que foi campeão mundial em 2004 -- o jiu-jítsu. Depois de perceber o cenário de oportunidades escassas na iniciativa privada (ele é formado em Turismo), decidiu estudar e muito. Para isso, abriu mão das oito horas diárias de treino para gastá-las diante dos livros. No começo, em 2005, eram dois turnos de estudos até que veio o primeiro resultado: um ano e meio depois, foi aprovado no certame do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

"Eu vinha me preparando para o concurso de gestor do Ministério do Planejamento e Orçamento. Mas, não fui aprovado. No entanto, as matérias que estudei serviram para que eu levasse uma vaga no MDS", conta ele. "Por isso é tão importante ter um foco e uma estratégia, para não perder tempo", completa o professor Frazão.

Forte competidor
E se concurso público é uma -- dura -- disputa, já na largada o candidato deve ter domínio de três matérias: português, direito constitucional e administrativo. "Ter domínio é acertar tudo ou quase tudo, no momento em que o edital é lançado na praça", afirma o professor de um cursinho do Distrito Federal, Ronaldo Silva. Mas esse é só o ponto de partida. "Para quem quer concursos fortes, como os da área fiscal, há uma gama de matérias que o candidato precisa saber bem", observa Silva. Nessa lista, entram nada menos do que oito disciplinas básicas: contabilidade, informática, direito penal e processual penal, direito civil e processual civil, além de inglês e atualidades.

O sonhado concurso de Rocha, o Tribunal de Contas da União (TCU), inclui ainda administração pública, financeira e orçamentária, auditoria governamental e controle externo. Mas antes de ser competitivo nessas matérias, ele tem se fortalecido em matemática e raciocínio lógico, seus pontos fracos. "O esporte me deu visão. Consigo enxergar aquilo em que sou forte e as minhas falhas. E quando sabemos das nossas deficiências, podemos trabalhá-las e fortalecê- las", filosofa. "Durante sete anos, eu treinei para me tornar um campeão mundial e não perdi o foco até conquistar o meu objetivo", observa.

Tão fundamental no esporte quanto na vida, a rotina é importantíssima para os estudos. "É preciso fazer um horário e segui-lo, nem que, para isso, a pessoa tenha que entrar no terceiro e quarto turnos do dia", defende Frazão. E como lutar sem desanimar? Segundo Rocha, com perseverança e disciplina. "Não abro mão dos meus estudos. Sigo à risca minha carga horária. Sempre estou com um texto na mão e aproveito meu tempo ao máximo -- horas de almoço, intervalos no trabalho", conta. Mas o segredo dele está mesmo é na humildade. "Cada derrota me estimula a seguir", observa.

 

 

Fonte: CorreioWeb

 

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