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Por Ana Clara Brant
Jhonatan poderia estar no Flamengo, Cruzeiro, Corinthians ou, quem sabe,
em um clube estrangeiro. Mariano poderia estar tocando em grandes palcos
do país e até estourando nas paradas de sucesso. Mas os dois decidiram
tomar rumos diferentes em suas vidas e correr atrás da tão sonhada
estabilidade financeira. O meio utilizado: concursos públicos. Enquanto,
o ex-goleiro tenta uma vaga na Polícia Federal, o músico almeja ser
procurador do Estado. "O objetivo principal de passar em concurso é, sem
dúvida, o dinheiro e a estabilidade. A razão real é essa. Por isso tem
tanta gente disputando uma vaga. Mas não é fácil. Envolve muita coisa",
declara o professor de um cursinho preparatório, Júlio César Meguerian.
Os dois aspirantes a servidores públicos sabem bem disso. Tiveram que
abrir mão de muita coisa para se dedicarem aos estudos. "Tenho aula de
manhã, à noite, inclusive nos finais de semana, além de estar fazendo
uma pós no domingo. Eu estava morando no Rio, aonde gravamos um disco, e
voltei para Brasília. Tive que abrir mão de minha carreira musical para
me dedicar totalmente aos estudos. Impossível conciliar uma banda com
toda essa maratona", conta Mariano Borges, 33.
Músico desde os 13 anos, e vocalista da extinta banda Scracho, ele
vislumbrou uma chance de mudar de vida através de um concurso público.
Formado em Direito, Mariano advoga também para ter uma renda e sabe que
o caminho até atingir a tão sonhada meta não será fácil. "É um projeto
longo. A advocacia pública é muito concorrida. Minha primeira opção
sempre foi a música, mas é uma profissão muito incerta. Hoje, minhas
guitarras são objetos de decoração no meu quarto. Pode até ser que eu
retome a carreira daqui um tempo. Mas quero passar no concurso porque
tenho a necessidade de ter segurança na vida profissional", assegura.
Dos gramados para a PF
A história de Jhonatan, que é colega de sala de Mariano em um cursinho
de Brasília, não é diferente. O rapaz também abdicou de um sonho de
menino em busca de um futuro mais seguro. Como a grande maioria dos
garotos brasileiros, ele se apaixonou pela bola de futebol assim que a
viu. Aos 4 anos de idade, Jonathan de Araújo, hoje com 25, já defendia
os chutes dos amiguinhos.
O garoto cresceu, o futebol também e ele começou a galgar os primeiros
passos em vários times de futebol pelo país. Com passagens por clubes do
interior de Minas, Goiás, Paraná e também de Brasília, ele parecia ter
um futuro promissor dentro da pequena área. "Todo mundo sempre achou que
eu fosse mesmo ser um goleiro de ponta. Seguir a carreira. Até hoje
ainda recebo convites de alguns clubes, cheguei a ser convidado até para
o Vasco da Gama. Mas agora, minha vida é outra, meu objetivo é outro",
assegura Jonathan que sonha em ser delegado da Polícia Federal.
A decisão de trocar as quatro linhas, por onde atuou até os 19 anos,
pelos estudos foi motivada pela vontade de ter uma vida profissional
estável. Ingressou na faculdade de direito visando justamente os
certames públicos e à duras penas, já que bancava sozinho os estudos,
concluiu o curso. Agora, nada tira da cabeça desse ex-goleiro, o desejo
de ser um integrante da PF. E ele tem um motivo extra para não desistir.
Quer prestar uma homenagem ao falecido amigo Paulo Rosal, 24 anos, morto
com um tiro em janeiro de 2007 em frente à Associação Atlética Banco do
Brasil (AABB), no Setor de Clubes Esportivos Sul, ao sair de uma festa.
Paulinho, como era conhecido, tinha acabado de se formar em Direito e
também estudava para prestar concurso público. "Neste momento, o meu
foco é concurso. Não tem nada que me tira disso. Tive uma luta muito
grande para pagar a faculdade, tive que financiar tudo. Não vou desistir.
Além do mais, tem outro fator que me motiva. Um dos meus melhores
amigos, que também queria ser delegado da Polícia Federal e estudava
comigo, foi assassinado brutalmente no ano passado. Vou passar por ele e
por mim", frisa.
Fonte: CorreioWeb
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