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Por Ana Clara Brant
Gula, soberba, preguiça, inveja, ira, luxúria, avareza. Os sete pecados
capitais. Atire a primeira pedra quem nunca cometeu algum deles.
Realmente resistir às tentações não é fácil. E você já parou para pensar
que até na hora de estudar e prestar um certame é possível pecar? Isso é
o que garante um dos maiores experts em concursos públicos do país:
William Douglas, que é juiz federal, professor e autor de obras
importantes da área jurídica relacionadas a concursos. "Segundo os
religiosos, o pecado faz mal e leva para o inferno; os 'pecados do
concurso' fazem mal também, e levam à reprovação. Ou, dependendo do caso,
levam o candidato a desanimar e a desistir de seus sonhos", filosofa.
Para cada um dos pecados, Douglas faz uma análise diferenciada e avalia
que o mais grave cometido pelos concurseiros é a falta de capacidade de
administrar o tempo e o excesso de lazer, apesar de a total falta de
atividades prazerosas também ser ruim. Mas sem dúvida, os mais comuns,
de acordo com o "papa dos concursos", são a gula e a preguiça.
Mas o que fazer para não se tornar um costumeiro pecador de concursos?
Fé sempre e, claro, muito sacrifício. "O que recomendo é que o candidato
faça a sua parte e pague o seu preço para chegar aonde quer. Ao dar
nossa parcela de fé e sacrifício, chegaremos cedo ou tarde à 'Terra
Prometida', ao 'Paraíso', com o mérito dos santos. 'Santo', por sinal,
significa, etimologicamente, 'separado'. Gente que passa em concurso é
assim: meio diferente da média, mais dedicada, mais focada. Isso é
santidade. Faço votos de que todos passem no concurso de seus sonhos",
finaliza William Douglas.
Gula
É a pressa de passar. Concurso não se faz para passar, mas até passar.
E, para isso, é preciso um processo de maturação. A aprovação é
resultado de um processo longo, mas é algo que a pessoa - se trabalhar
direito - pode contar.
Soberba
Soberba é a arrogância, o achar que já é o "dr. sabe-tudo", o "rei da
cocada", mal que atinge muitos candidatos bem preparados (e outros nem
tanto!). Muitos candidatos inteligentes e bem formados são vítimas da
soberba, ao passo que os menos capazes, mas esforçados, chegam lá, assim
como na história da corrida da lebre com a tartaruga. A humildade nas
aulas, no estudo, nas provas, em todo o processo, enfim, é o caminho
para a glória.
Preguiça
Nem é preciso escrever nada. A palavra é auto-explicativa. Contudo, eu
sou meio preguiçoso, reconheço. Por isso sempre procurei técnicas de
estudo para render mais e poder ter resultados de forma mais eficiente.
Inveja
A inveja acontece quando o concurseiro fica vigiando a vida, as notas e
as coisas boas que os outros possuem ao invés de ir resolver a própria
vida.
Ira
A ira representa deixar-se "estourar" pela enorme quantidade de fatos
que até dão raiva mesmo mas que fazem parte do processo, do sistema:
cansaço, carteiras duras (do curso e a sua), dificuldades com a família,
com a matéria, os absurdos ou fraudes em concursos, taxas de inscrição
abusivas etc. Haja paciência! (ops! Estamos falando de pecados e não de
virtudes...) Mas não adianta ficar irado. O jeito é estudar, pois um dia
a gente passa, apesar de tudo.
Luxúria
A luxúria é talvez o maior pecado: o lazer exagerado, as viagens,
passeios, baladas e tudo o mais que é delicioso, um luxo, e que nos tira
tempo de estudar e treinar, bem como a chance de fazer isso no futuro,
já nomeado e empossado.
Avareza
A avareza tem duas manifestações. A primeira, do candidato que economiza
nos investimentos necessários para ser aprovado e a segunda avareza, a
pior delas, ocorre quando o cidadão é aprovado e deixa de utilizar o
cargo, os poderes e competências dele para o bem da coletividade. Não
sejamos avaros com o país, nem com o povo que o (e nos) sustenta. Ao
passar, para não ser blasfemo, herege ou apóstata, é preciso devolver ao
povo o quanto nós custamos. Isso pode ser feito com trabalho, eficiência,
simpatia, honestidade e entusiasmo.
Fonte: CorreioWeb
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