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Por Marta Cavallini
Receita básica é sacrifício, dedicação ao estudo e determinação.
Todos destacaram a necessidade de se focar no objetivo e estabelecer uma rotina.
O sonho de passar em um concurso pode levar meses e até anos para se
tornar realidade. E, muitas vezes, são necessárias várias tentativas
para se conseguir o emprego público. Mas uma parcela dos candidatos
consegue a tão sonhada vaga após prestar o primeiro concurso. Qual a
receita? A resposta é unânime: foco somente no objetivo de passar,
sacrifício e muita determinação.
Zélio Maia é procurador do DF desde 1999 (Foto:
Divulgação)
O advogado Zélio Maia, de 41 anos, nunca pensou em fazer concurso, mas
em 1996 descobriu que havia um cargo que possibilitaria a ele exercer
sua profissão no setor público. Quando saiu o edital em 1998 para o
cargo de procurador do Distrito Federal, fez um projeto por escrito,
incluindo os dias de estudo e as respectivas disciplinas.
Ele colou o edital na parede de sua casa e passou a marcar as matérias
estudadas com canetas de cores diferentes. Maia conta que estudou cinco
vezes o conteúdo programático.
A experiência como advogado e professor de cursinho preparatório de
direito constitucional ajudou na preparação.
Antes de decidir prestar o concurso, ele trabalhava em um escritório de
advocacia de manhã. À tarde e à noite, dava aula. Para se preparar mais,
deixou as aulas à noite e o trabalho no turno da manhã. “Concurso é
investimento de tempo e dinheiro.”
Maia estudava quatro horas pela manhã e quatro horas à noite. “Tem que
ser executor de um projeto sem folga”, diz.
“É preciso traçar um projeto de vida, definir o cargo que se quer e se
organizar dentro da realidade como o único objetivo de vida naquele
momento. Estabelecer uma rotina é fundamental.”
Para Maia, que é procurador desde 1999, as pessoas que escolhem fazer
concurso têm de levar em conta a vocação, não apenas o salário. Isso
contribui bastante para obter a vaga. “É um projeto que muitos querem,
mas poucos alcançam porque nem todos executam com determinação.”
Luciane Mourão passou em primeiro lugar na área de sua
formação (Foto: Divulgação)
Sem baladas e viagens
A terapeuta ocupacional Luciane Mourão de Oliveira, de 25 anos, deixou
de se divertir com os amigos, algo que ela mais gostava de fazer, para
estudar para o concurso do INSS.
Mas o sacrifício valeu a pena. Em seu primeiro concurso, passou em
primeiro lugar neste mês no cargo de analista previdenciário, com
formação em terapia ocupacional.
Luciane nasceu em Rio Branco (AC) e concluiu a graduação em Uberaba
(MG), em 2004. Há três anos, mudou-se para São Paulo, onde fez pós-graduação
na Pontifícia Universidade Católica (PUC) e passou a trabalhar em
clínicas relacionadas à sua área de atuação. Sem muitas perspectivas, em
setembro de 2007, decidiu largar o emprego. E pensou em prestar concurso
público para cargos em sua formação.
Um mês depois, começou a estudar em um curso preparatório em São Paulo
as disciplinas básicas previstas em concursos para cargos de nível
superior. “Tive que me dedicar bastante para informática, que eu nunca
tinha estudado antes, e também para português, que é abordado de um
jeito totalmente diferente em concurso.”
Em dezembro, saiu o edital do INSS, e então ela passou a fazer um curso
direcionado para as matérias específicas previstas no concurso.
Foram cinco meses de preparação. “Tive que abdicar de tudo. Vi ali uma
oportunidade única, na minha área, em nível federal.”
As saídas noturnas com os amigos e as viagens aos fins de semana e
feriados prolongados, programas que adorava fazer, foram deixados de
lado nesse período. “Eu fiquei sozinha no carnaval em São Paulo,
estudando, enquanto todos os meus amigos estavam fora, se divertindo”.
Luciane fazia cursinho de manhã, ia para casa, almoçava, assistia a um
telejornal e começava a estudar. Ela se debruçava nos livros sempre das
14h às 18h, fazia uma pausa e retornava para os exercícios das 20h à 1h.
Aos finAIs de semana ela estudava seis horas por dia. Dedicava duas
horas para cada disciplina. Para disciplinas que dominava pouco,
dedicava um tempo maior. “Conforme você vai estudando, as matérias vão
ficando mais fáceis de serem assimiladas”.
Luciane buscava provas anteriores em sites, fazia exercícios
cronometrando o tempo e no mesmo estilo da prova que a organizadora ia
aplicar, de certo e errado.
A terapeuta ocupacional credita sua disciplina e organização ao exemplo
do pai, que é auditor aposentado do estado do Acre. “Vi meu pai
estudando para auditor quando tinha 10 anos. Ele chegava do trabalho, a
gente não podia fazer barulho, tinha festa de família, ele não ia, a
gente viajava e ele ficava em casa estudando”
Trancada no quarto
Rosana Rodrigues Gonzalez Couto, de 43 anos, decidiu que não iria mais
trabalhar na iniciativa privada em junho do ano passado, quando a
empresa na qual exercia o cargo de assessoria comercial fechou as
portas.
Após conversar com conhecidos que estavam no setor público, decidiu
prestar seu primeiro concurso. E passou no cargo de técnico
previdenciário do INSS.
Formada em letras e administração, Rosana começou a fazer cursinho
preparatório em outubro. As aulas eram à noite. Pela manhã, cuidava dos
filhos de 10 e 12 anos e estudava das 13h às 17h30. Não tirava folga nem
nos fins de semana e feriados – estudava das 9h às 18h. Ela se
organizava para conseguir estudar todas as disciplinas previstas no
edital durante a semana toda e fazia questões de provas anteriores para
treinar.
“Tudo se voltou para o concurso. Tem que ter foco e determinação. E a
família tem que contribuir. Eu me trancava no quarto para não ser
incomodada e não quebrar a concentração”, conta.
Para ela, acreditar na própria capacidade é o segredo do sucesso, “Tem
que acreditar que você vai fazer e vai conseguir, não pode ter medo”.
Professores
Para Carlos Alberto De Lucca, coordenador geral do Siga Concursos, é
possível passar no primeiro concurso se o candidato já escolhe o cargo e
estabelece uma meta antes de sair o edital. “Mas tem que ter
direcionamento e dedicação”.
Vivaldo Pereira de Jesus, professor de técnicas de estudo, administração
e planejamento da Central de Concursos, recomenda que os candidatos
estudem de quatro a seis meses antes da publicação do edital as
disciplinas básicas como português, matemática, informática e
atualidades para cargos de ensino médio. No caso de cargos de nível
superior, o ideal é se preparar entre 9 meses e 1 ano.
“Depois que sai o edital o candidato tem até 90 dias para se preparar
para a prova. Nesse período ele deve estudar as disciplinas específicas,
que têm maior peso.”
Fonte: G1
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