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Largar o emprego para estudar é um bom investimento?


  

Por Stefany Lima

 

Largar o emprego para investir em concurso público pode ser arriscado, mas é cada vez uma opção mais considerada pelos candidatos a uma vaga na administração pública. Formada em Direito, Caroline Araújo, 27 anos, não conseguia conciliar o trabalho com os estudos. Planejou, então, se dedicar somente aos cursinhos preparatórios e focar em um único objetivo: entrar no serviço público.

Para tomar a decisão de abandonar o trabalho, em março do ano passado, Caroline juntou dinheiro. Fez alguns cursinhos específicos e gastou cerca R$ 2.500 com toda a preparação. Com a ajuda dos pais e do marido, o esforço valeu a pena. Caroline conquistou uma vaga na procuradoria-geral da Fazenda Nacional e Defensoria Pública da União.

"Eu tenho registro da OAB e poderia estar trabalhando, mas preferi o concurso por causa da estabilidade financeira e da tranqüilidade", explica Caroline, que continua estudando até ser nomeada para tomar posse. "É preciso pensar a longo prazo. Eu me preparei para isso e graças a Deus deu certo", comemora.

Mudança de postura
Professora do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB), Débora Barem acredita que as pessoas têm conseguido abrir mão do trabalho para buscar uma situação profissional que traga mais satisfação. Segundo ela, largar uma atividade para focar somente no que quer é uma postura, que se bem pensada, rende bons frutos.

"Quando a pessoa não consegue ver no trabalho atual uma possibilidade de crescimento no futuro e paz de espírito, vai focar em algo que ela quer muito, como uma efetiva melhora", explica. Mas, para a professora, é preciso ter um suporte financeiro e por isso é importante planejar para que o dinheiro não acabe antes da aprovação no concurso.

"Quem vai gerir as contas enquanto estuda? Alguns têm patrocínio dos pais, do marido ou da mulher", detalha. "Se for organizada, a pessoa não vai ficar desesperada para pagar conta", explica. A professora também acha possível conciliar os estudos com outra atividade.

Segundo ela, quem tem capacidade de organização consegue passar em um concurso público. O objetivo tem que estar claro e a pessoa precisa focar bem para só estudar e trabalhar. Fazer uma planilha de gastos também é importante. "Pensar no que irá gastar para vestir, comer, locomover e na moradia", diz a professora. "Verificar para que, no mínimo de seis meses a um ano, possa ter dinheiro sem passar aperto".

Programado para mudar
Em 2003, Konrad de Amaral, 31 anos, tinha um emprego e participava de um projeto que estava prestes a acabar. Com a decisão de não procurar outro serviço, guardou um dinheiro e gastou em cursinho preparatório durante seis meses. Depois, passou a conciliar um novo trabalho com a dedicação aos livros. O resultado? O primeiro lugar no concurso do Ministério Público da União e a posse, um ano depois, para o cargo de analista na área de arquivologia.

Lazer e esporte
Combinar estudos com outra atividade é importante para o concurseiro controlar a ansiedade. De acordo com a psicóloga Marcela Boechat, da Contato Consultoria e Psicologia, a pessoa ter a opção de abandonar um emprego para tentar um concurso público nem sempre é um ponto a favor. Ela ressalta que a sensação de ter tempo disponível não garante a aprovação no certame. Como a concorrência é grande, a pessoa pode se sentir pressionada e sair prejudicada.

"É preciso buscar alguma maneira de ter equilíbrio e disciplina para não se abalar emocionalmente", explica. "Muitas horas de estudo por dia não requer qualidade, é preciso planejar e ter uma caixinha que possa assegurar um tempo a longo prazo", orienta. A psicóloga afirma ainda que, seguindo metas, o concurseiro perceberá resultados. Mas para isso, ela ressalta a importância de praticar exercícios físicos, ter uma vida social e uma boa alimentação.

Thiago Neves, 25 anos, é formado em Turismo. Após concluir a graduação, começou a trabalhar e há um ano e meio se dedica exclusivamente aos estudos para concurso. Para tomar essa decisão, ele garante ter pensado muito e conta com o apoio dos pais para pagar os cursinhos específicos e livros.

"Foi o caminho que achei melhor para mim", diz. "Não teria como se não tivesse a ajuda da família". Além de estudar cerca de oito horas por dia, Thiago gosta de fazer caminhada e ir ao cinema. "É bom para não ficar estressado", explica.

 

 

Fonte: CorreioWeb

 

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