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Por Thássia Alves
Quem quer passar em um concurso público deve estar disposto a abrir mão
dos momentos de lazer e convivência social. Para ser aprovado, é preciso
despender horas dividido entre as salas de aula, apostilas e bibliotecas.
Mas existe algo que vai além da dedicação com afinco, tão conhecida
entre os que estão no mundo dos concursos: o bolso.
Para passar
em um processo seletivo público, o candidato deve estar disposto a
gastar. Segundo o professor Granjeiro, coordenador do Obcursos, o
investimento varia de acordo com o nível da seleção. Ou seja, quem
tentar uma vaga de nível médio gastará menos dinheiro e tempo do que
aquele que pensa em um processo seletivo para ensino superior.
O
tempo médio de estudo de um concorrente para nível médio é de um a dois
anos. Já o investimento financeiro varia de R$ 4 mil a R$ 6 mil. "Nesses
valores já estão inclusos apostilas, livros, taxas de inscrição e o
cursinho", calcula.
Já aqueles que pretendem seguir em um
concurso para ensino superior terão o mesmo tempo de estudo. O que muda
são os valores. Os candidatos devem estar dispostos a gastar de R$ 8 a
R$ 12 mil. "Vale lembrar que esse concorrente vai ter um gasto maior com
inscrições, pois ele precisa de muito treino. Somente participando de
diversas seleções, ele irá aprender a administrar o tempo", explica o
coordenador.
Já aqueles que desejam seleções de maior porte, como
para magistratura, diplomacia ou mesmo para cargos de consultores do
Senado Federal ou do Tribunal de Contas da União podem gastar de R$ 20 a
R$ 30 mil. "Essas pessoas vão estudar, pelo menos, de dois a três anos",
diz Granjeiro. "O candidato vai precisar ir além das aulas e apostilas.
Vai ter que entrar na área em que deseja trabalhar. Então, terá um gasto
extra com revistas especializadas, por exemplo", detalha.
Para o
professor, investimento e dedicação são os únicos caminhos que levam à
aprovação em um concurso público."Não existe uma saída diferente. O
concurso é uma "fila". Você entra no final e espera, pacientemente, a
sua vez", compara. Para o professor, todos têm condições de passar. Mas
saber aguardar é essencial. "Tem um processo de amadurecimento. Não
adianta a pessoa começar a estudar quando o edital foi lançado ou quando
está para ser publicado. Não há a menor chance", assegura. E avisa: "A
chance de alguém começar a estudar para concursos sozinho e passar é
muito, muito pequena".
Exemplo de perseverança Bruno
Barreto, 25 anos, é formado em Arquivologia e experiente em concursos. A
batalha para ingressar na carreira pública começou há três anos. Durante
esse período, o jovem freqüentou 11 cursinhos, que oferecem matérias
específicas e pacotes para grandes seleções. Ele acredita que todas as
pessoas que começam a se preparar para concursos devem passar pelos
cursos. "As aulas te norteiam. E é muito importante fazer os pacotes
fechados. É uma enxurrada de matérias. É lá que você aprende o que é
importante em cada disciplina e aprende a criar uma rotina de estudos",
explica.
O investimento financeiro do arquivologista já chegou a
R$ 6 mil. "Eu não tinha a menor idéia que teria que gastar tanto tempo e
dinheiro", confessa. Apesar das dificuldades que todo concurseiro
enfrenta, ele não perde as esperanças e acredita que evolui a cada
seleção. "Nos primeiros processos seletivos não conseguia nem ser
classificado. Hoje já fiquei em 12º no Tribunal de Justiça do Distrito
Federal (TJDFT). Com o tempo, você agrega conhecimento, tranqüilidade e
estratégia", observa.
Fonte: CorreioWeb
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