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Por Leônidas Albuquerque
Foi-se o tempo em que o conhecimento de uma língua estrangeira era garantia de
êxito em qualquer seleção profissional. Com o acirramento da competitividade no
mercado de trabalho, o diploma do curso de inglês estampado no currículo já nem
impressiona, tanto que as melhores vagas listam o conhecimento do idioma como
condição fundamental para a contratação. Nos concursos públicos, a história não
é diferente. Especialistas dão o alerta: a
maioria dos candidatos ainda subestima a prova de língua estrangeira, o que pode
lhes custar a tão sonhada vaga.
Afogados em meio a códigos e doutrinas jurídicas, muitos acabam deixando o
estudo de inglês ou espanhol em último plano. Alguns são capazes até de apostar
que os conhecimentos adquiridos no ensino médio ou que a proximidade do espanhol
com a língua portuguesa são suficientes para garantir um bom exame. No entanto,
o nível cada vez mais alto de cobrança nos testes pode pegar os candidatos de
surpresa.
O professor Gerardo Sammarco, uruguaio autor de livros de espanhol voltados
especificamente para concursos públicos, defende que apenas a preparação
constante leva a um bom desempenho nas provas. "O candidato de concurso que tem
de enfrentar uma prova de língua estrangeira passa por dois momentos bem claros.
No começo, ele subestima a matéria, acha que será fácil e que não precisa se
preocupar. Mas depois da frustração de uma prova mal feita, ele se dá conta da
falta que aqueles pontos vão fazer e da importância de uma preparação sólida na
matéria", diz. Segundo Sammarco, nos concursos mais concorridos, mesmo os
últimos colocados acertam em média 80% das questões.
Além de conhecer as estruturas gramaticais mais comuns no idioma, o candidato
tem de ampliar o vocabulário e se familiarizar com a abordagem dos temas em cada
prova. "O candidato tem que conhecer as expressões e os termos técnicos que
fazem parte do universo de atuação do órgão em que quer trabalhar. Em um teste
para a área fiscal, por exemplo, é quase certo que os textos tratem de impostos
ou administração pública, e não sobre cultura ou celebridades", destaca o
professor Carlos Augusto Oliveira Pereira. Desde 1978, ele se dedica à
preparação de candidatos para testes de inglês. "Uma boa dica para adquirir esse
repertório é visitar sites de revistas e jornais estrangeiros, ou mesmo
pesquisar sobre órgãos públicos com atribuições semelhantes em outros países",
aconselha.
Alternativas Algumas escolas e cursos com tradição em preparação para seleções de mestrado,
que exigem conhecimento em pelo menos um idioma além do materno, já começam a
receber alunos que sonham com o futuro no serviço público. No Centro de Línguas
da Universidade Católica de Brasília (UCB) cresce a cada dia a procura por aulas
de inglês instrumental, que preparam para a leitura e compreensão de textos.
"Ainda não temos turmas específicas para concursos, mas muita gente já se deu
conta de que estudar no nível de preparação acadêmica pode ser o diferencial na
hora da prova", conta o coordenador do centro, Rogério da Silva Sales.
No decorrer de dois semestres, os alunos passam por uma carga de 100 horas de
aula, muito menor que a prevista em um curso tradicional. "Como não estamos
trabalhando a expressão e a compreensão oral, podemos obter um resultado muito
satisfatório de habilidade de leitura neste prazo", afirma.
Quem nunca fez um curso de inglês não precisa ficar inseguro, garante o
professor Oliveira. "Pronúncia não vai ter a menor importância no concurso. Com
dedicação para treinar e estudar, o candidato que não sabe falar pode se sair
melhor no exame que o que é fluente na língua", assegura Carlos Augusto Pereira.
Fonte: CorreioWeb
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