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Por Marta Cavallini
Todas as organizadoras enfatizam que buscam o ineditismo nas questões. Muitas vezes, nem mesmo os professores sabem para que órgãos estão fazendo a
prova.
Saber o que vai cair nas provas dos concursos públicos é o sonho de
todos os candidatos. Mas os únicos indícios do que pode ser abordado nos
exames estão no edital. O resto é cercado de sigilo. As organizadoras
não revelam os profissionais que elaboram as questões. Muitas vezes, nem
mesmo os professores sabem para que órgãos estão fazendo a prova.
Na maior parte das vezes cada professor fica responsável por um assunto
(Foto: Keiny Andrade/G1)
E cada profissional fica responsável por uma parte da prova, sem saber
quem são os demais professores que estão elaborando as questões das
outras disciplinas e assuntos.
A única certeza sobre o conteúdo revelada pelas organizadoras é que
todas elas buscam o ineditismo nas questões, ou seja, não podem ser
usadas perguntas de provas anteriores.
Foi consultado dez das principais organizadoras do país sobre os
critérios de elaboração das provas, abordando aspectos como escolha dos
profissionais e de assuntos.
Confira o 'caminho das provas' de grandes vestibulares
Sete responderam as questões sobre o assunto: o Núcleo de Computação
Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ), a
Fundação Vunesp, a Consulplan Consultoria, a Fundação Conesul de
Desenvolvimento, o Instituto Municipal de Ensino Superior de São Caetano
do Sul (Imes), a Fundação Cesgranrio e a Empresa de Seleção Pública e
Privada (ESPP). Fundação Carlos Chagas, Centro de Seleção e de Promoção
de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB) e Instituto Cetro não
atenderam à solicitação da reportagem.
Perfil da banca
O número de professores envolvidos na elaboração das provas varia de
concurso para concurso, segundo as organizadoras. Mas as instituições
informam que há preocupação de envolver um grande número de
profissionais para cobrir de forma abrangente os assuntos.
Muitos professores são funcionários das instituições. Mas quando os
concursos abordam assuntos específicos é necessário buscar profissionais
de fora. Os especialistas geralmente são professores universitários,
muitos deles com títulos de mestrado e doutorado.
A seleção dos profissionais leva em conta idoneidade, competência
pedagógica, domínio dos assuntos abordados nas provas e na metodologia
para elaboração das questões, capacidade de manter sigilo e não ter
parentesco com candidatos.
Elaboração das questões
Na maior parte das vezes cada professor fica responsável por um assunto (ou
disciplina). Nesse caso, não há troca de informações entre eles – os
profissionais nem sabem quais são os outros colegas que estão participando da
elaboração do mesmo exame nem têm acesso ao conteúdo completo da prova. As
questões são discutidas sempre com a coordenação pedagógica das organizadoras.
Todas as organizadoras enfatizam que buscam o ineditismo nas questões e não
recorrem a provas anteriores para elaborar questões.
Os órgãos geralmente determinam o conteúdo programático do concurso. Em outros
casos, informam apenas o perfil do profissional que querem admitir e o nível de
escolaridade exigido, deixando a critério das instituições a escolha dos
assuntos.
Há ainda a possibilidade de a escolha ser discutida entre os órgãos contratantes
e a coordenadoria das organizadoras.
Revisão
Todas as questões passam por um revisor, de acordo com as organizadoras.
Todas as questões passam por um revisor, de acordo com as organizadoras
(Foto: Keiny Andrade/G1)
No caso da Consulplan, existe um primeiro revisor que recebe as provas e
as formata nos moldes da empresa. Em seguida, existem professores de
português que revisam todas as questões e há ainda a revisão final, com
a prova já totalmente impressa.
A Fundação Conesul diz que as provas são revisadas tanto por professores
como pelos clientes.
No caso da Fundação Vunesp, a primeira versão da prova é encaminhada a
um revisor, que não conhece o elaborador, nem as respostas esperadas,
nem nível de dificuldade estimado, aspectos do programa selecionados
para avaliação, entre outros pontos.
Ele resolve a prova como se fosse um candidato, dá a sua classificação
para cada questão e aponta defeitos de conteúdo ou de forma que observou
em toda a prova.
O material volta para coordenação, que o confronta com o do elaborador;
a coordenação acrescenta suas orientações e solicita ao elaborador que
efetue as modificações e dê a versão final.
O Imes diz que a revisão verifica a língua portuguesa, técnicas de
formulação de questões e se o conteúdo está ajustado ao previsto no
edital
Sigilo As organizadoras têm a preocupação de manter o anonimato
dos elaboradores das provas para que eles possam trabalhar com isenção.
O sigilo e a discrição são itens presentes inclusive nos contratos de
trabalho.
Além disso, a maioria das organizadoras informou que os professores que
elaboram as provas não sabem para que órgão estão fazendo as questões.
Os profissionais têm acesso apenas ao conteúdo programático e às
atribuições do cargo, além do nível de escolaridade.
As instituições também requisitam um maior número de questões aos
professores e depois a coordenação escolhe as que farão parte da prova.
Além disso, os elaboradores passam as respostas certas, mas não sabem em
quais alternativas elas serão colocadas.
Fonte: G1
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