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Juízes resistem a
audiência gravada em DVD e pedem a transcrição em papel
Por FREDERICO VASCONCELOS e
FLÁVIO FERREIRA
A gravação em vídeo de audiências criminais enfrenta resistências no
Tribunal de Justiça de São Paulo. Alguns desembargadores preferem
examinar os recursos no papel e estão devolvendo as gravações em DVD
para que os juízes providenciem a transcrição, o que duplica o trabalho
na primeira instância.
Uma mudança no Código de Processo Penal abriu a possibilidade de que os
interrogatórios de réus e os depoimentos de testemunhas sejam gravados
em áudio e vídeo. Os juízes não precisam ditar as respostas de réus e de
testemunhas para a escrevente nem aguardar a transcrição dos
estenotipistas. No prazo de uma audiência tradicional, é possível
realizar três ou quatro com vídeo.
Os desembargadores alegam que ler páginas de depoimentos toma menos
tempo do que assistir aos DVDs.
O juiz Edison Aparecido Brandão, da 5ª Vara Criminal no Fórum da Barra
Funda, fez a primeira audiência em vídeo, em 1997, em Campinas (SP).
Para ele, mais importante que a economia de tempo é a fidelidade da
prova e seu acesso por advogados e tribunais: "A gravação permite uma
revolução na prova, que é repetida como foi feita".
Diretor da Apamagis (Associação Paulista dos Magistrados), Brandão criou
um kit que a entidade vende aos juízes por R$ 345 (um gravador de DVD,
três microfones de mesa, três conectores e webcam). Cerca de 200
magistrados já compraram o pacote, pagando do próprio bolso.
Em outubro, pesquisa da Apamagis revelou que 19% dos entrevistados
consideram necessária a degravação dos DVDs, enquanto 81% acham que não.
Em fevereiro, a Corregedoria Geral da Justiça determinou que as varas e
os cartórios deveriam fazer a transcrição em papel. Sem funcionários, os
juízes reclamaram. O presidente da seção criminal do TJ-SP,
desembargador Eduardo Pereira dos Santos, emitiu um parecer tornando
desnecessária a transcrição.
"O primeiro grau não tem como fazer a transcrição. Se for para ter
audiência gravada, e depois fazer a transcrição, é melhor fazer o
convencional", diz o juiz Richard Francisco Chequini, assessor da
presidência da seção criminal do TJ-SP. "Não adianta fechar os olhos
para o processo virtual", diz Chequini.
A Apamagis propôs a criação de um setor de degravação no próprio
tribunal.
Fonte: Folha de S.Paulo
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