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Prezados internautas,
Antes de proceder a uma análise do concurso da Câmara Municipal de
Vitória do Estado do Espírito Santo - CMV, gostaríamos de justificar a
nossa ausência nos comentários sobre taquigrafia neste site. Por razões
de ordem médica, esse colunista não pôde fazer uso deste espaço durante
alguns meses. A impossibilidade foi motivada pelo que os médicos chamam
de Síndrome do Túnel do Carpo Leve e Neuropatia do Ulnar no Canal
Ulnar. Essa lesão atingiu, principalmente, a mão, o pulso e o
cotovelo, fazendo com que a digitação fosse terminantemente proibida
por longos meses e daqui para frente o ato de digitar fosse recomendado
de forma bem reduzida. Daí que a coluna deverá ser feita de forma
eventual e, infelizmente, sem muita regularidade. Sendo assim, outros
projetos, também, foram abortados temporariamente, (o da tecnografia em
especial) pelas razões já citadas. Bem, feitos os esclarecimentos, vamos
ao que interessa:
Acerta a organizadora do concurso da Câmara Municipal de Vitória em solicitar
uma transcrição digitada de 30 (trinta) minutos para uma velocidade de 80
(oitenta) pp/m (palavras por minuto). Prazos maiores beneficiam candidatos que
treinam com métodos antiquados e/ou que possuem dificuldade no registro
taquigráfico. Peca quando exige “experiência mínima de 01 (um) ano na área de
Taquigrafo” (sic), tendo em vista que no Brasil o mercado de trabalho da
área taquigráfica é risível e quase inexistente. É feliz, também, quando coloca
na condicional a famigerada obrigação de “Registro Profissional no respectivo
Conselho, se existir” (sic), uma vez que não há um “conselho federal de
taquigrafia”, tão pouco “conselhos regionais”. Quanto à exigência de o candidato
apresentar uma passagem num ”Curso de Taquígrafo“ (sic), sem dúvida, vem
homenagear os abnegados e ínfimos cursos de taquigrafia existentes no
país. No entanto, não podemos deixar de registrar que a exigência é surrealista.
Com reduzidíssimo número de cursos de taquigrafia no Brasil a solicitação
torna-se, até certo ponto, extravagante e inapropriada. De certa forma essa
situação nada mais é do que o retrato irretocável da falta de informação sobre a
área taquigráfica. Uma mera consulta realizada pela organizadora do concurso
seria o suficiente para verificar que o pedido é completamente estapafúrdio. Uma
questão importante e que sempre suscita dúvida e até mesmo surpresa é, quando da
publicação de um edital para a área taquigráfica, a participação dos gestores
que utilizam da escrita rápida nesses órgãos: parece que ou não são consultados
ou se provocados a se manifestar não são levados a sério pelos organizadores de
concurso do país, tendo em vista os erros crassos cometidos nesses
editais. São equívocos primários, desde exigências impossíveis de serem
cumpridas e ao próprio desenvolvimento do certame, no que tange a prova prática
de taquigrafia, tais como: falta de padronização na velocidade exigida
(solicita-se uma velocidade maior para um concurso de nível médio outra bem
menor para nível superior), critérios subjetivos de correção, ditados “ao vivo”
quando a tecnologia poderia eliminar de uma vez por todas com a injustiça num
concurso de taquigrafia, bastando criar-se um banco de dados com ditados
gravados realizados em ambiente digital e sorteados na hora da prova. Enfim,
essas e outras filigranas serão analisadas e colocadas em discussão em nossa
próxima abordagem sobre concursos na área taquigráfica. Até lá!
Valorize o livro didático e diga não ao uso de apostilas!
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