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    DICAS DE LÓGOS - O mestre da escrita rápida

A taquigrafia na UTI


 

Prezados internautas,

 

Por mais que sejamos otimistas, a coisa anda difícil para a taquigrafia no Brasil. Episódios recentes, como o malfadado concurso da Câmara dos Deputados e o do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, revelam tempos sombrios para a escrita rápida. O primeiro já é do conhecimento de todos e o segundo trata-se de um concurso para a área taquigráfica, supostamente, sem prova prática. Ora, a continuar essa tendência, não seria nada absurdo dizer que o declínio da arte-ciência tende a aumentar e chegar ao desaparecimento em pouco tempo. Estamos alertando durante anos que o setor que mais emprega taquígrafos não está nem um pouco preocupado com uma técnica tão importante e imprescindível para quem a utiliza. Infelizmente, as ações não passam de meros discursos românticos pela passagem do dia do taquígrafo nesses órgãos. Apenas isso. Um discurso aqui, outro acolá elogiando o trabalho desses técnicos e pára por aí. O que essas efemérides representam para a taquigrafia? O que esses discursos honoríficos traduzem de benefícios para a taquigrafia? Será que a taquigrafia deve viver de medalhas, de diplomas de honra ao mérito e de tapinhas nas costas de alguns gestores? Ou ainda do elogio de alguns políticos que claramente estão ali representando o seu papel, falando de acordo com a notinha ou conforme o discurso elaborado por sua assessoria? A verdade é a que taquigrafia sucumbe e passa por um dos seus piores momentos. Não há investimento e novos concursos são uma ilusão. O Judiciário, aos poucos, começa a fazer concurso sem a prova prática. O Legislativo de forma contínua passa a alterar o nome de taquígrafo em seus concursos para: auxiliar de plenário, assistente de plenário, secretário de plenário etc. São inúmeras as designações para as tarefas típicas realizadas pelo taquígrafo. Não adianta tapar o sol com a peneira. Sabemos que há uma corrente que tenta desesperadamente blindar e esconder os problemas da área taquigráfica. Achamos um verdadeiro equívoco. Devemos, ao contrário, amplificar e mostrar os nossos problemas. Viver de glórias alcançadas no passado, de saudosismo ou de fantasia não nos levará a lugar algum.  São feitos e obras de um momento pretérito, que já se esgotaram e que, por isso mesmo, já não se sustentam mais. Em que pese considerarmos que essas pessoas querem de verdade o bem da taquigrafia, o diagnóstico que fazemos é que essa visão não é nada salutar em prol de resolvermos os graves entraves para recuperar a imagem e a dignidade de centenas de excelentes profissionais da área. Apenas com medidas firmes e enfrentando a situação de forma eficiente e eficaz conseguiremos, talvez, tirar a taquigrafia da UTI.  Ela está entubada, precisando respirar. É chato falar sobre isso? É desagradável constatar isso? Claro que sim! Ainda mais para quem sempre está divulgando com entusiasmo e com responsabilidade, de forma incansável, a taquigrafia no Brasil. Gostaríamos de estar escrevendo sobre os inúmeros concursos para área, das inúmeras oportunidades de emprego nas empresas privadas e dos feitos dos nossos técnicos. Enfim, essa seria a nossa pauta predileta. Já dissemos em outra oportunidade que fazer estardalhaço pela aprovação de meia dúzia de felizardos, sérios e competentes candidatos aprovados em concursos, não resolverá o grande problema que enfrenta a taquigrafia na atualidade. Evidentemente que isso faz parte, mas não atinge o cerne da questão. Ao contrário, passa a impressão de que o setor vive um céu de brigadeiro. O desavisado e o leigo imaginam que tudo está bem. Não está! O número de vagas nos concursos públicos para área taquigráfica é risível. A freqüência é caótica, chegando a dez, quinze, vinte ou mais anos sem concurso em alguns órgãos. Esse é o grande desafio. Aumentar o número de vagas nos concursos públicos com uma periodicidade decente. Fazer divulgação dos resultados é importante, porém se não lutarmos por mais vagas e exigirmos concursos mais próximos não teremos nem como relatar eventuais vitórias na área. Elas farão parte de uma história, de uma recordação, de um álbum para os nossos filhos e gerações futuras. Queremos mais! Queremos respeito a nossa atividade, mais investimento, menos discursos e condecorações. Queremos ações concretas para o resgate dessa nobre arte da escrita veloz.  A taquigrafia passa por um momento delicado. Cerrar os olhos para isso não é o recomendável. Fingir que isso não está acontecendo, muito menos. Aqueles que divulgam a taquigrafia no Brasil devem perceber que chegou a hora de travar uma batalha a favor da técnica e de sua permanência nos órgãos que ainda a utilizam. Somente a união em torno de propostas inteligentes e com todos os atores do universo taquigráfico conseguiremos sair da UTI. Não adiantam bravatas e atitudes isoladas. Arroubos editoriais e manifestação exacerbada do ego não conseguirão mudar os rumos da taquigrafia no Brasil. Temos de ter consciência que se propostas viáveis não forem pensadas e colocadas em prática a taquigrafia, lamentavelmente, não conseguirá sair da UTI e morrerá à míngua, sem chance de se recuperar.  Convenhamos, é uma pena!  

 

 

Valorize o livro didático e diga não ao uso de apostilas!

 

 

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