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Por TecnoLógos
300
é o número
aproximado de vagas abertas nos certames públicos para
taquigrafia ao longo de quase vinte anos, de 1988 até
hoje, ou seja, cerca de quinze vagas ao ano. Pois
bem, é com esse retrospecto “impressionante”, com essa “marca
invejável”, com essa “pujança extraordinária” demonstrada na
área serviçal pública, que alguns sujeitos estão despejando
há décadas na cabeça de incautos, desavisados, leigos e
iniciantes o discurso da “superioridade da taquigrafia no
servilismo”. A título de ilustração, segundo dados
disponibilizados no site do servidor, o Governo Federal abriu de
2002 a 2007 um total de 101.254 (cento e uma mil, duzentas e
cinqüenta quatro) vagas. O Distrito Federal conta atualmente
com 240.000 (duzentas e quarenta mil) pessoas
desempregadas, segundo dados do DIEESE. O número de servidores
públicos no Brasil, segundo pesquisa realizada pelo DIEESE, até
o ano de 2000, apresenta os seguintes resultados:
Poder Executivo - 1.742.183 (um milhão, setecentos e
quarenta e dois mil, cento e oitenta e
três); Poder Legislativo - 51.587 (cinqüenta e um
mil e quinhentos e oitenta e sete) e Poder Judiciário
- 101.556 (cento e um mil e quinhentos e cinqüenta e
seis). Dessa forma, a área taquigráfica no setor público não
aparece nem de maneira residual, no conjunto dos demais
servidores públicos, perfazendo menos do que 0.001%
desse total, levando-se em consideração apenas os
servidores do Legislativo e do Judiciário. Algumas perguntas
estão no ar: Qual o impacto de 300 (trezentas) vagas abertas, em
vinte anos de certames públicos, para a área taquigráfica no
Brasil, em relação ao discurso da importância vital do
uso da técnica no setor público? O que esses números traduzem? O
que esses números representam para a taquigrafia e para a
sociedade? Como fica o discurso amparado em índices de aprovação
na área serviçal pública? Pode um setor ser considerado “o
mais importante” e reivindicar para si tudo o que acontece
no mundo da taquigrafia no Brasil, apresentando tais números?
Colocar 300 privilegiados
no servilismo, ao longo de vinte anos, pode ser avaliado
como uma contribuição para a taquigrafia brasileira? Por
que o discurso do oficialismo deve pautar todas as ações da
área taquigráfica? Quem se beneficiou com esse discurso
falacioso? Quem se projetou com esse discurso propagado durante
anos e anos? Qual foi a contrapartida do setor público para a
área taquigráfica, com base nesses números? Por que a divulgação
da taquigrafia brasileira tem de estar voltada para câmaras e
tribunais, com um número risível desses? O que justifica a
soberba de alguns sujeitos com números tão acanhados e
residuais? O que representa para a sociedade a tão decantada
“superioridade” da chamada “elite profissional da área pública”,
com esses números apresentados? Por que alguns sujeitos insistem
com a exclusividade do vocábulo “profissional” para o setor
público, diante de tais números? O que o cidadão comum se
beneficiou com isso? Enfim, poderíamos encher laudas e laudas de
perguntas semelhantes e as respostas seriam exatamente as
mesmas: em nada, absolutamente nada, esse discurso foi relevante
ou salutar para a difusão da taquigrafia no Brasil. Ao
contrário, ao divulgar a taquigrafia como um instrumento
secundário, um apêndice de câmaras e tribunais, cometeu-se um
grande e danoso equívoco, de proporções gigantescas. “Contras
os fatos não há argumentos”. A prova está estampada para
quem quiser ver. Os números apresentados revelam uma
realidade cruel e devastadora em relação ao uso da técnica
na área serviçal pública. Uma pesquisa mais apurada pode,
inclusive, mostrar uma situação com contornos ainda
mais catastróficos do que o acima relatado. Daí que a
sociedade deve escolher o que deseja para o destino da
taquigrafia no Brasil. Continuar desse jeito, aceitando
mansamente o discurso da “taquigrafia de resultados” como um
dogma, que se revela totalmente falacioso e que foi incapaz de
produzir e capitalizar ganhos reais para todos os cidadãos
interessados na técnica, ou partir para questionar essa falação
de maneira firme e decidida. Há mais de 80 (oitenta) anos
o saudoso professor Oscar Leite Alves levantava a sua voz de
forma veemente contra a propaganda equivocada da
taquigrafia que visava única e exclusivamente subordiná-la a
câmaras e tribunais. O que foi feito em relação aos avisos e
aos apelos contundentes do professor e de outras
personalidades da época? Nada, absolutamente nada! Durante
quase um século a taquigrafia se viu aprisionada,
subordinada, acorrentada, apequenada ao discurso do servilismo,
sendo o uso da ferramenta instrumento de ascensão social de
meia dúzia de privilegiados ou para ser mais exato de uma dúzia
por ano, ao longo de vinte anos. Até hoje a demanda
gira em torno dos “endeusados certames públicos”, diga-se de
passagem, escassos, mal elaborados e com regras esdrúxulas. Não
souberam ou não quiseram diferenciar o singelo aprendizado
básico da técnica como uma opção (mais do que
viável), objetivando a substituição da escrita comum ou usual,
da preparação para concursos públicos. São coisas totalmente
diferentes. Dessa forma, ao se vincular uma simples técnica
de escrita rápida ao uso restrito de discursos e pronunciamentos
em câmaras e tribunais, aniquilou-se com a expansão de tão
importante ferramenta para os demais setores da sociedade, em
especial, o privado. Evidentemente que empresa alguma pode
contratar um executor ou praticante da técnica se o mesmo
encontra-se completamente vocacionado apenas para o
setor público. Além do mais, a Lei nº 8.112/90 impede
que o servidor público possa exercer outra atividade se não
aquela pertinente ao cargo que está ocupando ou que porventura
venha assumir, ou seja está impedido de atuar nas duas
pontas do processo. Portanto, se não existe demanda para o setor
público, conforme já restou comprovado de forma irrefutável,
o natural seria que o setor privado absorvesse toda essa
mão-de-obra excluída da área serviçal pública. Essa é a lógica.
Sendo assim, que ações foram realizadas nesse sentido? Que
divulgação eficiente foi feita para incentivar empresas privadas
a utilizarem essa qualificada e excedente mão-de-obra?
Nenhuma! Por outro lado, diante de fatos irretocáveis e
incontestáveis cabe exclusivamente a sociedade obter
respostas sobre a realidade que se apresenta. A nossa obrigação
é mostrar os fatos, os números reais e a situação da taquigrafia
no setor público. A conclusão a respeito da propaganda
equivocada na taquigrafia ao longo de quase um século “deve
ser feita pela sociedade” e pelo cidadão comum interessado
na singela técnica da escrita rápida. Não somos nós que devemos
explicações plausíveis ou desculpas a respeito do discurso da
“taquigrafia de resultados”, que pelo o número apresentado, sem
dúvida alguma, mostrou-se totalmente descabida e desprovida de
elementos fáticos, desnudando de forma cabal a desproporção
gigantesca entre o marketing propalado e o suposto sucesso
alcançado. São números que não se encaixam. Cabe ressaltar que
não há sequer um resquício, por mais ínfimo que seja, de
nossa parte, apresentar tais números com satisfação e alegria.
Ao contrário, a situação serve de alerta e vem comprovar que os
avisos clarividentes feitos por diversos estudiosos e
pessoas da área, há quase um século atrás, estavam na direção
certa. Caros internautas, desde a criação do CBT Online até
agora, portanto durante seis anos, temos evitado ao
máximo contrapor o discurso falacioso da taquigrafia no
servilismo, nos abstendo de apresentar números tão escandalosos.
Dessa forma procuramos, ao cabo desses seis anos, sempre usar
uma retórica subentendida, de modo que pudesse rebater de
maneira inteligente, tentando desembaçar a visão míope de alguns
elementos, sem causar prejuízos à difusão da técnica no seio da
sociedade, contudo isso não foi o suficiente. Os dados
divulgados não são uma surpresa para nós que lidamos com
a ferramenta 24 horas por dia. Sabemos de todas as
mazelas, absolutamente todas, desde o comportamento da
taquigrafia no setor público, o investimento realizado, os
certames publicados, enfim, tudo que se reporta a área é do
nosso conhecimento e que não é pouco. Temos mais números e mais
coisas a relatar, muito mais. No entanto, achávamos que tal
debate poderia ensejar um efeito desastroso e servir de
ingrediente desmotivador para quem desejasse conhecer a técnica.
Porém, tendo em vista as inúmeras asneiras publicadas, e
principalmente, o comportamento “arrognante” de certos elementos
que se apresentam na net, colocando a área serviçal pública como
a “deusa encantada” ou a “jóia da rainha”, sem humildade para
encarar uma realidade tão deprimente, é que a partir desse
momento estaremos de forma decidida a mostrar todos os problemas
envolvendo a área taquigráfica e que por sinal são inúmeros. Não
é mais possível conviver com um discurso anacrônico e totalmente
descolado da veracidade dos fatos. A prepotência e o discurso
soberbo demonstrados por algumas pessoas se desintegram se
esfarelam na verdade absoluta dos números apresentados.
Sendo assim, ou esses indivíduos alteram a maneira de divulgar a
taquigrafia ou serão contestados todos os dias,
por meio de números e estatísticas oficiais que já estão sendo
encomendadas pelo CBT Online sobre todo o universo da
taquigrafia no Brasil, em especial no setor público.
300 é um número emblemático,
representando aproximadamente 300 (trezentas) vagas abertas para
taquigrafia no setor público, em quase vinte anos de certames
realizados. Ele deve servir de aviso aos mais empolgados e
principalmente aos que arrostam e “vomitam todos os dias na net”
o “discurso ensebado” do “profissionalismo” como coisa exclusiva
de uma área que no conjunto das demais, melancolicamente, não
aparece nem de forma residual. Enfim, sob o manto da
importância exagerada da área serviçal pública, desconectada
com a realidade, verdadeiras castas foram criadas
na área taquigráfica, daí o resultado escabroso e
inexpressivo que ora se apresenta.
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