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Kumon neles!
Por TecnoLógos
Amigos e amigas! Há uma turma na net insistindo na tese de
que o praticante de taquigrafia leva vantagem ao
treinar com velocidades acima de 120 palavras por minuto.
A esse respeito, sugerimos que essas pessoas façam um “cursinho
básico de matemática” o mais rápido possível. A
taquigrafia não pode desafiar singelos rabiscos de
cálculos. Abaixo, os internautas poderão observar que os
discursos mambembes a cerca de velocidades superiores a 120
palavras por minuto não passa de mero espetáculo, com
o objetivo nítido de impressionar leigos, desavisados,
incautos e iniciantes. Faz-se, como de sempre, uma
enorme confusão para iludir o pobre do iniciante no que se
refere à velocidade de 140 palavras por minuto, senão
vejamos:
PRIMEIRO: o ditado pode ter sido contado de forma
equivocada.
SEGUNDO: a pessoa pode ter treinado o texto
inúmeras vezes, portanto não seria considerado um ditado
inédito.
TERCEIRO: em velocidades acima de 120 palavras por
minuto quanto maior a duração do ditado, obviamente que o
nível de perda aumenta na mesma proporção. Portanto, uma
coisa é registrar um ditado de apenas um minuto outra é
fazê-lo em cinco minutos ou com uma duração superior a essa.
QUARTO: uma coisa é registrar sinais taquigráficos,
em qualquer velocidade, outra é fazer a leitura imediata,
realizando a transcrição (tradução) digitada
integralmente daquilo que uma pessoa falou conforme os
padrões da norma culta. Dessa forma, são conceitos
diferentes: uma coisa é o registro e o apanhamento, outra é
a transcrição (tradução) para a escrita usual e de acordo
com a norma culta, sem perdas substanciais. Portanto,
em tese, posso registrar 140 palavras por minuto
e transcrever 70% do ditado. Daí que a velocidade
líquida ou real não passaria de 100 palavras por minuto,
descontando-se as inevitáveis falhas.
QUINTO: uma coisa é o treinamento numa velocidade
qualquer, observando-se o número bruto de palavras por
minuto, outra é a velocidade líquida ou real que o
praticante está obtendo. Dessa forma, não faz sentido algum
dizer que realizo o registro e o apanhamento bruto de 100
palavras por minuto e consigo apenas transcrever
(traduzir) 70% , alcançando a grosso modo uma velocidade
média líquida ou real de 70 palavras por minuto.
Assim sendo, não passa de pirotecnia e um discurso
muito falacioso essa história de treinamento com velocidades
superiores a 120 palavras por minuto. Primeiro que não há
registros nos últimos anos de que essa velocidade
esteja sendo exigida em certames públicos; segundo que
não traz nenhum benefício para o praticante, ao não ser que
o mesmo estivesse treinando com velocidades superiores a
essa e perdendo até 9% do ditado realizado por meio de
textos inéditos. O CBT Online atua há mais 30 (trinta)
anos na prestação de serviços profissionais de
taquigrafia, realizando avaliações rotineiras da sua
Equipe com o objetivo de aumentar o rendimento e a qualidade
dos registros e apanhamentos taquigráficos, possuindo
estatísticas e planilhas atualizadas que indicam claramente
ser o discurso propalado inverossímil. E por que há uma
divulgação fantasiosa de velocidades acima de 120 palavras
por minuto? Infelizmente a nossa área está repleta de
marqueteiros e sujeitos que não apresentam verniz
profissional adequado. Fazem uma análise simplória de
métodos e processos na performance do praticante, achando
que pelo simples fato de que
140 > 120
isso já é o suficiente para que o praticante possa aumentar
a sua velocidade. O raciocínio é simplesmente inacreditável!
Comentem erros crassos e colossais de avaliação,
desconsiderando a perda da velocidade em razão do enorme
estresse que o aumento de uma até cinco palavras por minuto
indubitavelmente provoca no treinamento realizado,
refletindo diretamente no desempenho do executor.
Qualquer praticante sabe muito bem que é extremamente
difícil passar de 110 para 115 pp/m, de 115 para 120 pp/m ou
de 120 para 125 p/pm, sem que haja um sacrifício enorme, o
que dirá registrar 140 pp/m sem perdas substanciais da
qualidade na posterior transcrição digitada para a escrita
usual e conforme os padrões da norma culta. Apresentações
circenses de 140 pp/m ou mais, com textos conhecidos
e treinados a exaustão, sem a devida leitura imediata e
a transcrição digitada posterior, durante um ou dois
minutos, são relativamente fáceis de serem feitas.
Temos em nossa Equipe pessoas que realizam esse tipo de
coisa sem nenhum esforço adicional. Muito diferente disso é
estar numa sessão plenária com a obrigação de registrar tudo
o que foi falado de forma inédita com o mínimo de
inconsistência ou perda durante cinco ou mais minutos. São
coisas totalmente diferentes. O praticante deve entender
que a nossa obrigação é demonstrar de forma cabal a
inutilidade desse tipo de preparação. Um treinamento de
120 pp/m é mais do que suficiente para dar tranqüilidade ao
praticante em realizar uma prova prática de taquigrafia. No
máximo, poderíamos admitir uma velocidade média para
treinamento de 125 pp/m com um nível reduzido de perdas, o
que já pode ser considerado excelente para qualquer
praticante. Acima disso, a conversa passa a ser burlesca e
remete um trabalho sério para o “Domingão do Faustão”, no
quadro “Se Vira nos Trinta”.
TABELA RACIONAL PARA TREINAMENTO DE
VELOCIDADE
DITADOS DE TEXTOS INÉDITOS
PERCENTUAL
MÍNIMO DE PERDAS
|
VELOCIDADE MÉDIA BRUTA
(pp/m) |
DURAÇÃO
(min) |
Nº PALAVRAS |
PERDA
% |
PERDA
Nº PALAVRAS |
Nº PALAVRAS LÍQUIDAS REGISTRADAS |
VELOCIDADE MÉDIA LÍQUIDA
(pp/m) |
|
115* |
5 |
575 |
0 |
0 |
575 |
115 |
|
120 |
5 |
600 |
4,20 |
25 |
575 |
115 |
|
125 |
5 |
625 |
7,20 |
45 |
580 |
116 |
|
130 |
5 |
650 |
10,0 |
65 |
585 |
117 |
|
135 |
5 |
675 |
12,6 |
85 |
590 |
118 |
|
140* |
5 |
700 |
15,0 |
105 |
595 |
119 |
NOTAS
EXPLICATIVAS
1)
115* =
velocidade média bruta exigida nos últimos concursos
para taquígrafo. O praticante pode registrar e
realizar a transcrição digitada sem nenhuma perda, ou seja a
sua velocidade líquida ou real é de 115 pp/m.
2) 140*
=
velocidade média bruta que corresponde na
realidade a 119 pp/m, ou seja o praticante
estaria prejudicando o ritmo de treinamento e
conseqüentemente afetando o seu desempenho, apresentando
uma velocidade líquida ou real de apenas 119 pp/m,
portanto menor
do que 120 pp/m.
CONCLUSÃO
Pretende-se demonstrar com a tabela acima de maneira
irrefutável e inquestionável que o praticante não leva
nenhum tipo de vantagem treinando com velocidades superiores
a 120 pp/m, pois o mesmo aumentaria a sua velocidade
bruta com perdas substanciais na transcrição digitada. Para
que o praticante levasse algum tipo de vantagem seria
necessário que não perdesse sequer um único registro
taquigráfico, coisa que desafiamos qualquer um a
fazer, por meio de um ditado de texto inédito,
durante cinco minutos, na velocidade média de 140
palavras por minuto. Aguardamos com o maior prazer à
manifestação de pessoas que possam realizar tal proeza. Cabe
ressaltar que realizar um treinamento na velocidade de 140
ou mais palavras por minuto é uma coisa, outra é registrar
todo o ditado, fazendo a posterior transcrição digitada
sem perdas substanciais.
Portanto, são situações completamente diferentes, ou
seja a velocidade média bruta é uma coisa, outra é a
velocidade média líquida ou real, descontando-se as perdas
verificadas.
PERCENTUAL MÍNIMO DE PERDAS –
O
quadro acima apresenta um percentual extremamente
reduzido de perdas. Nesse caso, num ditado de 120 pp/m,
o praticante perderia tão-somente
25 palavras do total de 600
palavras do texto ou cerca de 4,20%.
Esse percentual é bem inferior ao tolerado em
certames públicos e, em tese, poderia ser alcançado por
executores altamente experientes na área taquigráfica.
pp/m = palavras por minuto
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