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A taquigrafia de resultados

 

 

Por TecnoLógos

 

 

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Pessoal! A taquigrafia ao longo de décadas vem sendo regida pela ótica de resultados obtidos em certames públicos. A sua difusão durante anos está a reboque do número de candidatos que passaram em concursos realizados na área. O que isso realmente importa? Essa é uma discussão que tem de ser travada no seio da sociedade. Ora, se a técnica tivesse sido criada para atender apenas ao servilismo e se estivesse de alguma forma subordinada a área serviçal pública, naturalmente que os resultados alcançados seriam mais do que festejados, seriam até mesmo obrigatórios. No entanto, há que se fazer algumas ponderações interessantes:

 

1) A taquigrafia foi pensada para substituir a escrita comum ou usual no registro de uma fala qualquer, que apresenta a marca medíocre de 30 palavras por minuto.

 

2) A taquigrafia é uma técnica de escrita rápida não-usual de cunho universal e aberta a qualquer cidadão que deseja utilizá-la;

 

3) Para se aprender taquigrafia não há necessidade de possuir nível médio e nem superior.

 

4) A taquigrafia pode ser aprendida até por uma criança.

 

5) A taquigrafia não está sob o domínio de nenhum tipo de regulamentação ou normatização.

 

6) A taquigrafia não está à mercê de câmaras e tribunais, portanto não é vinculada ou subordinada ao setor público.

 

7) O número de vagas abertas no setor público para a área taquigráfica seja de nível médio ou superior é considerado ridículo, um quantitativo residual, não chegando a quinze vagas anuais efetivas, isso de 1988 até hoje. Um exemplo marcante é o último edital publicado por uma câmara, após quase vinte anos de espera, com o número “expressivo” de cinco vagas, sendo uma para deficiente.

 

8) Não há nenhum tipo de investimento do setor público que possa justificar uma “taquigrafia de resultados”. Ou seja, por que cursinhos preparatórios teriam que se desdobrar em preparar candidatos para um setor que sequer deseja a taquigrafia em seu seio?

 

9)     A “taquigrafia de resultados” apenas beneficiou nichos específicos de familiares e amigos.

 

10) A taquigrafia constitui-se atualmente num sistema nefasto de castas.

 

11) A taquigrafia possui um enorme déficit de informação.

 

12) A taquigrafia vem sendo divulgada de forma equivocada.

 

13) A taquigrafia não está atingindo o seu principal objetivo que é a substituição da escrita comum ou usual.

 

14) O número residual de quinze pessoas aprovadas em certames públicos não representa o número de praticantes de um método taquigráfico.

 

 

PERGUNTAMOS

Diante dos fatos irrefutáveis acima, qual o motivo de colocar a “taquigrafia de resultados” como o principal arcabouço e parâmetro para tudo o que está relacionado ao uso da ferramenta? Por que essa medida é a mais importante para a difusão da técnica? O que significa para todo o universo taquigráfico a aprovação de duas, três ou dez pessoas num concurso público num período de dez ou vinte anos? O que isso verdadeiramente contribui para divulgar a taquigrafia no seio da sociedade? Quais as razões fundamentadas para que isso seja motivo de diferenciar um trabalho do outro na área taquigráfica? O número de candidatos aprovados em certames públicos representa o quê na taquigrafia? Qual a relação entre o número de pessoas aprovadas em um concurso com o número de pessoas que praticam um método de taquigrafia?

 

 

CONCLUSÃO

 

 A divulgação de vitórias obtidas na chamada “taquigrafia de resultados” apenas interessa aos comerciantes, donos de cursinhos preparatórios e evidentemente aos felizardos aprovados. No que diz respeito à difusão e a contribuição efetiva da taquigrafia na sociedade e a sua relevância cultural, isso não tem a menor importância. Daí que não faz nenhum sentido se atrelar resultados de concursos com contribuição na área taquigráfica. Cursinhos preparatórios não são entidades filantrópicas. Foram criados exatamente com o fim precípuo de passar candidatos. Não estão contribuindo com nada, a não ser com o bolso do dono do cursinho ou com a alegria de quem passou. Contribuição é uma coisa e obrigação é outra. Portanto, aprovar candidatos é uma obrigação de cursinhos preparatórios. É comum cursinhos preparatórios relacionarem aprendizado de taquigrafia e o uso da técnica, com resultados obtidos em certames públicos, porém são coisas diferentes. Uma coisa é você divulgar a técnica, dotar o interessado de conhecimentos sólidos na área taquigráfica, objetivando torná-lo um praticante ou executor para qualquer área do conhecimento humano, outra é você se preocupar em colocar meia dúzia de pessoas em vinte anos no setor público. A sociedade precisa ser esclarecida que não existe uma taquigrafia para câmaras e tribunais. Há um alfabeto básico taquigráfico e linguagens diferenciadas que o cidadão poderá optar e fazer uso da melhor forma que lhe convier: parlamentar, forense, executiva, jornalística, acadêmica, financeira, econômica, etc. Reduzir a importância da taquigrafia a câmaras e tribunais, dando uma estrondosa relevância a esse fato, que nem mesmo o setor interessado demonstra ter, é no mínimo curioso. Dessa forma, faz-se necessário informar com total transparência e sem falácia que o número de pessoas aprovadas em certames públicos não tem nenhuma relação, absolutamente nenhuma, com a difusão da taquigrafia e seu aprendizado. Portanto, o discurso falacioso relaciona o número de candidatos aprovados em certames púbicos com o número de pessoas que conhecem ou praticam taquigrafia com um determinado método. Qual seria então o objetivo desse tipo de divulgação enviesada? Ao que parece, fica claro que, para esses divulgadores da “taquigrafia de resultados”, a técnica nasceu exclusivamente para ser utilizada em câmaras e tribunais, ou seja, todos os praticantes que usam a ferramenta estariam envolvidos com a “taquigrafia de resultados”. Em resumo: se o meu cursinho preparatório é o que mais aprova (meia dúzia de pessoas ao longo de vários anos), subentende-se na visão pretensiosa dessa gente que o melhor trabalho na área taquigráfica é o meu. Bota pretensão nisso! Qual a lógica dessa argumentação? Com que base pode-se afirmar isso? Reparem que a vinculação tem um objetivo claro e específico: dizer que o melhor trabalho na área taquigráfica é aquele que aprovou um punhado de pessoas em vinte anos de certames públicos (escassos, mal elaborados e com um número de vagas indecente). Pois bem, se realmente, essa for a real utilidade da taquigrafia, caros internautas, podemos “fechar para balanço”. Sendo assim, não é difícil perceber o porquê da taquigrafia se encontrar, lamentavelmente, num processo iminente e irreversível de extinção. Portanto, se a importância da taquigrafia ou o trabalho de autores e métodos de uma singela técnica de escrita rápida estiver sendo medida pelo número residual de candidatos aprovados em certames públicos (300 em vinte anos), podemos afirmar de maneira categórica que chegamos inexoravelmente ao fim da linha.     

 

 

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