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TJMG e a prova prática de taquigrafia

 

 

Por TecnoLógos

 

 

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Amigos e amigas, nos últimos dias recebemos inúmeros e-mails solicitando a nossa posição a respeito da prova prática de taquigrafia do TJMG. Alguns salientam que a prova não estaria dentro dos padrões utilizados em concursos anteriores, outros questionam os critérios de pontuação, enfim, várias perguntas sobre o mesmo assunto. Resolvemos falar um pouco dessa questão para atender as diversas manifestações enviadas para a nossa caixa de mensagens. Bem, inicialmente, gostaríamos de dizer que escrevemos um artigo quando da divulgação do concurso. Naquele texto falávamos da felicidade do TJMG em promover um concurso com regras claras e com provas objetivas coerentes, sem a exigência estapafúrdia de dois idiomas e a cobrança burlesca de semiologia e semiótica para um concurso de taquigrafia. Não mudamos a nossa opinião. O Edital não está eivado de nenhuma incoerência ou com objetivos escusos na suposta tentativa de prejudicar os candidatos ao concurso para taquígrafo. Não concordamos com a retificação do Edital tampouco com a hipótese desastrada de anulação da prova. Nele, não enxergamos nada, absolutamente nada, que pudesse ser prejudicial ao candidato ao certame. As críticas sobre o concurso em tela, enviadas para o nosso e-mail, cingem-se a questão da velocidade exigida de 100 palavras por minuto com a duração de 10 minutos e o máximo de 12 erros para habilitação. Ora, um texto ditado de 100 palavras por minuto equivale a 1000 palavras, descontando-se o número de erros teríamos, então, 976 palavras líquidas, ou 2,4% de erros. Isso significa dizer que o candidato deverá atingir uma média de 97 palavras por minuto líquidas. Em nossas respostas temos demonstrado quão é paradoxal essa questão de treinamento de velocidade em taquigrafia. Discursos paroquiais e falaciosos relatam um treinamento de até 140 palavras por minuto. Dessa forma, objetivamente, podemos concluir dessa falação ensebada e absurda de alguns sujeitos na área o seguinte: trata-se, na verdade, de um tremendo e poderoso instrumento de marketing. Pois, estaríamos falando de um treinamento de 140 palavras para registrar, apenas, 80 ou 90 palavras líquidas por minuto. Daí pode-se concluir o desespero de uma enorme parcela de pregadores desse tipo de treinamento. O paradoxo é estupendo. Se o sujeito treina 140 palavras por minuto por que teria medo de um ditado de 100 palavras? A menos que as 140 palavras brutas, na realidade, representem tão-somente 98 palavras líquidas, já descontados os 30% de erros. Portanto, num ditado de 140 palavras por minuto, durante dez minutos, teríamos 1400 palavras, descontando os 30% o resultado seria um total de 980 palavras ou 98 palavras por minuto. Então, agora, podemos perceber a explicação sobre o treinamento de 140 palavras por minuto. A pergunta que se faz é a seguinte: por que um candidato bem preparado (principalmente a turma das 140 palavras por minuto) teria enorme dificuldade em registrar 97 palavras líquidas por minuto? Por que o critério tem de ser o escolhido por “a” ou “b”? A quem interessa mudar o critério? Nos últimos concursos observamos as mesmas atitudes. Ou seja, quando os critérios não são exatamente aqueles que eu utilizo ou os que me agradam, simplesmente, são repudiados e colocados em suspeição. Foi assim na CLDF e em outros concursos. Há uma busca frenética em querer padronizar-se uma prova prática com padrões de uma única vertente. Essa conduta pode ser bem explicitada na máxima do genial craque Garrincha que foi instado a responder quantos gols ele faria no time adversário num determinado jogo e ele respondeu singelamente que faltava combinar com o outro escrete. Existem inúmeras partes interessadas na área taquigráfica e cabe a algumas pessoas perceberem isso. Não há, em hipótese alguma, uma voz única ou uma só vontade e, muito menos, um pseudo-representante que fala por todos nós. É bom essa gente ir se acostumando com os novos rumos e as novas tendências na área. Até a questão ridícula do texto fácil e difícil começa a ser levantada de novo. Um candidato deve estar preparado para taquigrafar qualquer texto e não apenas clichês: senhor presidente, vistos e relatados estes autos, mandado de segurança, e por aí vai. O problema, certamente, não está na prova, está no nível de preparação do candidato, que não recebe uma orientação adequada para utilizar qualquer tipo de linguagem. No setor privado ninguém taquigrafa menos de 10 (dez) minutos em uma sessão plenária. É uma imposição do mercado. Lá se taquigrafa qualquer tipo de assunto, por mais esdrúxulo que possa ser. Desde uma reunião acalorada de um sindicato até uma plêiade de doutores num determinado tema. Essa conversa fiada que tribunal deve ditar texto de tribunal e câmara deve ditar texto de câmara apenas interessa alguns cursinhos preparatórios. O pessoal que milita na área não possui essa dificuldade. Esse tipo de critério é altamente dirigido e atende a interesses velados. Portanto, SOMOS A FAVOR DE DITADOS DE QUALQUER NATUREZA PARA TAQUIGRAFIA. Claro! O candidato deve estar realmente preparado para enfrentar qualquer sessão plenária e qualquer tipo de debate. Esse DIRIGISMO NEFASTO, DURANTE DÉCADAS, APENAS BENEFICIOU ALGUMAS PESSOAS. E é por isso que o pessoal do setor público tem enorme dificuldade em participar de eventos de qualquer espécie. Não é capaz de acompanhar uma sessão plenária qualquer, envolvendo outros assuntos. O Edital é claro. Não fala qual o tipo de publicação, o ano e nem o tema. Portanto, o texto pode ser de 1930 até 2007. Daí que a há uma tentativa desesperada de enfiar na cabeça do estudante essa besteira monumental de “textos atualizados”. O candidato deve conhecer a linguagem, o estilo do discurso, o jargão. Não há texto fácil ou difícil para um taquigrafo de verdade. Há uma pretensa e enorme vontade de se determinar padrões para a prova prática: texto tem de ser assim, velocidade tem de ser assada, duração tem de ser....Ora, afinal de contas o sujeito vai ser taquígrafo ou digitador de luxo?

 

 

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