Há uma taquigrafia ou um método “oficial” de
taquigrafia no Brasil?
Por Lógos
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Amigos, a resposta simplesmente é NÃO! A taquigrafia,
também chamada de estenografia, tecnoGrafia,
alfometria, braquigrafia, calistenografia, calegrafia,
cnitipografia, ctipografia, diagrafia, dromografia,
escotografia, esquiagrafia, estenotaquigrafia, estesografia,
estigmatografia, expediografia, feografia, fonografia,
fonegrafia, grafodromia, hemipasigrafia, homografia,
ideografia, ideolografia, ipografia, lacografia, logografia,
melografia, metagrafia, mimografia, monotipia, neografia,
neotipografia, notografia, oquigrafia, oxigrafia, ozigrafia,
palistenografia, panstenografia, pasigrafia, pedografia,
polistenografia, potelegrafia, rapidegrafia, semigrafia,
semiografia, senografia, sialografia, tacolografia,
taqueografia, tipofonia, tipostefonia, tocolografia,
tonografia, velografia, vocografia, vocotipografia e
ziguezagrafia é na essência uma técnica de
escrita rápida não-usual. Uma singela ferramenta que por
acaso é utilizada em câmaras e tribunais. Praticada ao longo
de mais de 1500 anos nunca esteve subordinada ou vinculada
ao setor público, seja no Brasil ou no mundo. O leigo faz
certa confusão, tendo em vista a propaganda equivocada de
alguns cursinhos preparatórios que consideram ser muito
mais fácil e lucrativo atrelar o uso da técnica ao
salário estratosférico do técnico ou do servidor público que
utilizará a ferramenta. Daí que por conta dessa “estratégia
inteligente de marketing” a taquigrafia ficou sendo uma
atividade acessória, um apêndice, um bibelô, um adorno de
câmaras e tribunais. Não é necessário se fazer uma longa e
pesada argumentação para constatar que essa subserviência
não só aniquilou com a expansão da taquigrafia como
beneficiou claramente um único setor, formando nichos de
familiares e amigos. No entanto, a área serviçal pública
que foi agraciada com essa vinculação nefasta não devolveu a
sociedade nada que pudesse fazer jus ao “endeusamento”
promovido por alguns alienados e claramente favorecidos por
essa aproximação. Ao contrário, o número de vagas no setor
público é considerado uma tragédia. Pois bem, com essa
cômoda divulgação:
taquigrafia = câmaras e tribunais =
salário de R$ 15.000,00,
a conseqüência foi a
desastrosa limitação do uso da técnica, uma vez que a
maioria das pessoas sequer imagina que a taquigrafia
nasceu para ser a substituta da escrita comum,
com a seguinte equação:
taquigrafia = escrever rápido.
Obviamente que, ao atrelar a ferramenta ao serviço
público, outra nefasta percepção se criou no âmago da
sociedade, que é a de existir um método “oficial” utilizado
na área serviçal pública. Faz-se uma mixórdia tremenda a
esse respeito. A técnica de escrita não-usual possui um
alfabeto básico que serve para qualquer área do
conhecimento humano. A utilização em câmaras e tribunais
requer tão-somente que o interessado, após ter aprendido o
alfabeto, conheça as particularidades da linguagem requerida
nessas instituições. Assim sendo, ele deverá treinar textos
específicos para a área que achar conveniente: parlamentar,
forense, executiva, jornalística, acadêmica, econômica,
financeira etc. Portanto, não existe um alfabeto
taquigráfico ou um método “oficial” no Brasil, muito menos
que serve apenas para o serviço público. O que há são
linguagens diferentes que o interessado poderá utilizar
dentro das suas prioridades. Dessa forma, não há nenhuma
exigência em concursos públicos sobre a utilização de um
método “x” ou “y”. Qualquer manual que o leve a escrever
rápido será aceito. Em tese, se o sujeito possuir a
capacidade de durante cinco minutos, memorizar tudo o que o
foi ditado e depois realizar a transcrição para a escrita
usual, nos padrões da norma culta, terá alcançado êxito no
concurso. Considerando que isso é impossível de ser
realizado, a ferramenta taquigrafia faz-se necessária para
que o interessado possa registrar o que a pessoa falou.
Dessa maneira, também não existe a figura do “cursinho
preparatório específico de taquigrafia para concursos
públicos”. Na verdade, o estudante precisa conhecer o
alfabeto dos sinais taquigráficos e treinar a linguagem que
mais lhe interessa. Misturam matérias cobradas nas provas
objetivas com preparação específica para taquigrafia. Ora, é
bom que o internauta saiba que as disciplinas exigidas em
qualquer certame público de taquigrafia, nas provas
objetivas, são as mesmas dos outros cargos.
Resumindo, teríamos então: provas objetivas para todos os
cargos e mais a prova prática com a utilização da ferramenta
(qualquer método empregado), no caso específico da
taquigrafia. Sendo assim, fica extremamente fácil de
perceber o discurso falacioso do “profissionalismo”, que
apenas favorece certos grupos infiltrados na área serviçal
pública em detrimento ao conjunto da sociedade.
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