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O uso da taquigrafia no setor público e privado

 

 

Por TecnoLógos

 

 

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Amigos e amigas, ao longo de muitos anos a taquigrafia foi motivo de muita curiosidade e sofreu com a desinformação. Idéias desencontradas e um folclore cultivado de forma explícita por alguns integrantes da área pública que deram ao simples ato de se registrar a fala de uma pessoa uma atmosfera de excentricidade, passando ao imaginário das pessoas como uma atividade pitoresca e cheia de mistérios. Na verdade, o uso da taquigrafia tanto nos certames públicos como nas atividades inerentes ao registro e apanhamento é um instrumento para captação da fala. O leigo, o iniciante, o desavisado e o incauto devem estar cientes de que qualquer processo que se utilize para isso, tenha o nome que tiver, é o fim precípuo para utilização da ferramenta. Ou seja, se um candidato ficar durante os cinco minutos da prova prática de taquigrafia, sem fazer um registro sequer, valendo-se apenas da sua memória e em seguida transcrever o que foi ditado, dentro dos critérios estabelecidos para correção da prova, terá passado no concurso. Ou, ainda, se utilizar a escrita comum de forma bem veloz e entregar o texto nos padrões da norma culta terá passado. Não se exige que o candidato MOSTRE QUE TAQUIGRAFOU PELO MÉTODO “A” e “B” ou mesmo que usou um processo taquigráfico. Ou melhor, sequer deve comprovar que utilizou taquigrafia para fazer o apanhamento. Evidentemente que não temos notícia que alguém já realizou tal proeza sem utilizar à técnica. Agora, não há como vincular uma coisa a outra. Essa vinculação nunca foi bem explicada. O leigo tem o sentimento que ele é OBRIGADO a mostrar algum sinal taquigráfico no concurso que está participando. Recebemos inúmeros e-mails dando conta dessa anomalia. Há uma cultura no ar mistificando tudo o que se refere à técnica. Dessa forma é visível perceber por que não faz sentido falar-se em “taquigrafia profissional” na concepção estrita da expressão. O que há verdadeiramente são pessoas que utilizam à taquigrafia (a ferramenta) de forma profissional. Há que se esclarecer bem isso. É comum verificarmos em sites, blogs e fóruns essa conceituação totalmente equivocada. A técnica, na verdade, pode ser utilizada de forma profissional. Isso é uma coisa, outra é se considerar um “taquígrafo profissional”. Sendo assim, são coisas diferentes. Fazer uso de um conhecimento, de uma técnica de maneira que posso ganhar dinheiro, tanto no setor público ou privado, não pode induzir o leigo a imaginar que existe uma “taquigrafia profissional”. Isso nunca existiu! São pessoas que utilizam a técnica de FORMA PROFISSIONAL. A técnica pode ser usada até por uma criança. Em outras palavras, seria o caso de dizer que dirigir um carro é coisa de profissional, tirar fotografia é coisa de profissional e digitar é coisa de profissional. Daí que o setor privado também utiliza a ferramenta de MANEIRA PROFISSIONAL por algumas pessoas, assim como no setor público. Portanto a ferramenta é de múltiplo uso, podendo ser empregada de várias formas. Esse dirigismo da taquigrafia foi nocivo à expansão da técnica. Há casos de pessoas que imaginam que a técnica é utilizada apenas em câmaras e tribunais e, pior, por um método específico. Pensam também que será exigido o registro de sinais taquigrafados em um certame público. Outro erro gravíssimo da falta de informação. Obviamente que o examinador nem sabe o que é taquigrafia, cingirá a sua correção ao texto entregue em língua portuguesa e de acordo com a norma culta, ou seja, na escrita comum ou usual. O examinador não corrige taquigramas ou sinais taquigrafados. Imaginem, hipoteticamente, um sujeito com a capacidade de conhecer dezenas de métodos de taquigrafia e suas variadas regras e particularidades. Nunca se abordou esse tema de forma clara e objetiva. Sempre ficou envolvido numa atmosfera de dúvida e de forma proposital não se explicou bem essa situação. A confusão foi benéfica para aqueles que militam no setor público, conferindo um status inexistente para o uso da ferramenta. Não existe “taquígrafo profissional” do setor público ou do privado. Existem pessoas que utilizam à taquigrafia de forma profissional em vários setores. São conceitos diferentes. Ao misturar o uso da técnica com uma profissão, levou-se a um entendimento equivocado para o âmago da sociedade. A singela técnica de captação da palavra acabou amarrada ao oficialismo ou ao seu uso restrito, “uma coisa de profissional”. Lamentavelmente essa foi a “contribuição” desses mensageiros da chamada “taquigrafia profissional”.   

 

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