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A inútil e ultrapassada prova prática (?) de taquigrafia


 

Por Lógos

 

 

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Prezados amigos e amigas, não estava em nossos planos voltar ao assunto TJ-MG. No entanto, recebemos inúmeros e-mails noticiando uma série de boatos que estão envolvendo o certame. São ilações e hipóteses sobre o que teria ocorrido em relação à prova prática e o critério de pontuação, com a exigência de 12 (doze) erros para um ditado de dez minutos feito a 100 palavras por minuto. Reiteramos a nossa opinião já conhecida de todos em artigo publicado. O que chama mais atenção nessa pseudoceleuma é que estão deixando de lado os candidatos que fizeram à prova e entregaram o texto conforme o exigido no edital. A queixa é dos que não conseguiram entregar a prova. Não seria uma inversão de valores? Ou seja, privilegiar quem não foi feliz no certame. E se porventura o candidato insatisfeito, que está reclamando, tivesse feito uma boa prova, estaria tendo à mesma atitude? Por outro lado o edital foi publicado e durante meses não recebeu nenhum tipo de impugnação formal por parte dos candidatos. Por que depois do certame realizado cobra-se uma mudança de critérios? Não deveria ter sido contestado antes pelos candidatos? Fica parecendo que se espera primeiro o resultado para depois reclamar. Não há uma contradição nisso tudo? E o que falar do treinamento alardeado de 140 palavras por minuto? Quem treina nessa velocidade não estaria preparado para registrar 98 palavras líquidas? Pode-se até questionar a rigidez do sistema de correção das provas. É possível que não haja candidato habilitado. Enfim, podemos relacionar uma série de equívocos no certame, mas qual foi à atitude dos candidatos interessados? Todos sabiam das regras antes de realizar as provas. Participaram das provas objetivas e na hora da prova prática alguns não foram felizes. Ora, a reclamação não está sendo feita de maneira intempestiva? Por que participar das provas objetivas e das provas práticas, e reclamar após o resultado? O candidato sabia o critério de pontuação exigido no concurso. Aceitou fazer a prova objetiva e depois a prova prática. Insistimos na tese da avaliação do resultado positivo (a famosa cláusula do sucesso). Claro! Primeiro faço as provas objetivas, ser for bem, ótimo, depois me submeto às provas práticas e se for bem, excelente! Agora, se não me sair muito bem começo a criticar e a fazer ilações perigosas sobre o concurso, sobre o edital, sobre o TJ-MG, sobre os terceirizados, sobre isso ou sobre aquilo, sobre o celular que tocou, sobre o amigo que espirrou, sobre... Não parece um tremendo contra-senso. Outra coisa que é extremamente surrealista é essa questão que um celular, um espirro ou um gemido sejam capazes de acabar com a prova de taquigrafia. Tenha paciência! O dia-a-dia de um executor da área é repleto de múltiplas vozes. O praticante estará trabalhando numa sessão plenária com inúmeros atores ao seu lado. Seria o caso do taquígrafo pedir silêncio em plena câmara aos nobres deputados. Que coisa estúpida! O taquígrafo não taquigrafará numa redoma de vidro, estará trabalhando no calor das discussões. Portanto é obrigado possuir concentração extrema e não ligar para a conversa paralela. A prova prática de taquigrafia não tem nada de prática. A realidade é outra. É por isso que o candidato depois que passa num concurso desses fica meses na “geladeira”, alguns nem conseguem ir para o plenário, pois a prova que realizou para o ingresso no serviço público não espelha a realidade do trabalho de um taquígrafo. O sujeito é treinado para passar no concursinho, não para taquigrafar de verdade. Essa é a terrível e lamentável realidade. O interessado deveria treinar taquigrafia em plena praça de alimentação de um shopping para obter o máximo de concentração. Esse negócio de cair uma folha de papel no chão e gerar recurso e outras abobrinhas é um desserviço para a taquigrafia. O ideal seria o candidato fazer o concurso numa sessão plenária real, com todos os percalços que ele possivelmente deverá ter ao trabalhar. Criou-se uma atmosfera totalmente artificial e surrealista para a prova prática de taquigrafia. Isso jamais foi taquigrafia. Como explicar um paradoxo desses? O sujeito tem de captar a fala de um orador, em meio, a um sem número de vozes paralelas e na prova não pode escutar um zumbido de uma abelha, um breve toque de celular ou um bocejar do examinador? Quem já não viu uma CPI na TV Senado ou Câmara? O celular toca de um em um minuto! Seria o caso de solicitar aos nobres parlamentares que fizessem o máximo de silêncio, talvez ficassem mudos para que o taquígrafo pudesse trabalhar. Convenhamos, essa reclamação toda, mas uma vez, cheira ao já conhecido “choro dos incompetentes”. Dessa forma, estamos sugerindo que se acabe, definitivamente, com a prova prática de taquigrafia. Não faz sentido algum se exigir uma prova nos padrões atuais. Uma prova que não espelha, em absoluto, a realidade do trabalho a ser executado não merece nem ser aplicada. Seria o caso de se exigir de uma prova prática de direção para motorista que o candidato ligasse e desligasse o carro e nem saísse da garagem. É ridículo! Melhor seria adotar-se um curso de formação nos moldes da ESAF e outros. O candidato faria as provas objetivas e lá dentro participaria de um curso de formação específica. Pronto! Acabaria essa polêmica homérica e desnecessária referente às provas práticas que há anos vem tomando conta da taquigrafia. Um desgaste imenso para organizadores, candidatos e cursinhos preparatórios. O candidato aprovado nas provas objetivas faria os exames práticos numa sessão plenária real, sem essa baboseira de silêncio absoluto e decoreba de convenções parlamentares e forenses. Com isso os cursinhos de taquigrafia teriam um viés estritamente maduro e orientado para o dia-a-dia do executor. Essa é a nossa sugestão para os gestores e organizadores de concursos para os futuros certames na área taquigráfica.

 

 

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