A
prova prática (?) de taquigrafia é uma piada (de mau gosto)!
Por Lógos
Amigos
Amigos e amigas internautas, o que a decoreba, os clichês,
as frases prontas, as “milagrosas convenções” do
“juridiquês” e do “parlamentês” representam para o
praticante de taquigrafia? Uma prática nefasta que ao longo
de anos e anos é incentivada e colocada como a “salvação da
pátria” para inúmeros estudantes. Será? Sabemos que há
praticante que não consegue registrar nada em taquigrafia
sem esses artifícios. O que isso denota? Uma insegurança
total e uma falta de preparação para o dia-a-dia do futuro
taquígrafo. Treinamentos baseados com esse tipo de apelação
proliferam aos borbotões. A cada dia cria-se uma “nova
convenção”. Em geral são “convenções” que já existem e que
não passam de meras palavras derivadas. O medo de se
submeter a um ditado com texto diferente do que o candidato
ao certame vem praticando decorre desse tipo de preparação.
O praticante acaba o aprendizado básico e logo é
“presenteado” com centenas e centenas de “convenções” para
decorar. Para dar sustentação a esse tipo de treinamento
obrigam o estudante a assimilar inúmeras porcarias que
jamais vai utilizar ou que não diz respeito ao texto que
está treinando. Com essa “preparação inteligente” o
estudante se depara com um cipoal de absurdos, desde
convenções de uso estritamente pessoal de quem as criou até
as chamadas “convenções interpretativas”, como fazer uma
“minhoca” e chamar o sinal taquigráfico ou taquigrama de
governo, por exemplo. Ora, a percepção de quem taquigrafa é
uma coisa, outra é divulgar isso como se fizesse parte de um
método ou de um sistema. São coisas diferentes. Nem sempre
aquilo que considero bom para mim será para quem está
estudando comigo. Na maioria dos casos o estudante é
compelido a decorar tais convenções que não fazem o menor
sentido para ele. O executor que a fez pode ter sido
influenciado pelo momento, pela dificuldade de fazer o
registro daquela palavra específica. Daí que com o tempo se
acostumou a registrar o sinal daquela maneira, muitas vezes
de maneira equivocada. Como isso pode ser aproveitado por
outra pessoa? Todos, sem exceção, os autores de métodos e
sistemas de taquigrafia condenam com veemência a prática de
copiar listas de convenções de outras pessoas. Não parece
ser inteligente sair por aí copiando algo que alguém
elaborou sem o mínimo critério. A pressão do certame público
produz essa excrescência na taquigrafia. Raros, raríssimos
são os candidatos que se preparam com antecedência para
participar de um concurso público na área taquigráfica.
Conta-se a dedo. A maioria começa a treinar logo após que é
divulgado o edital ou quando consegue passar nas provas
objetivas. São inúmeros os exemplos desse tipo de situação.
Culpa do estudante? Não! Claro que não! Como um interessado
que mora em Belo Horizonte e que sabidamente não há nenhum
curso presencial de taquigrafia, portanto, sem a devida
cultura taquigráfica pode estar atento a essas questões e se
preparando para concursos que são divulgados de vinte em
vinte anos. O TJ-MG está aí para comprovar a tese. Recebemos
inúmeros e-mails de candidatos apavorados para
aprender taquigrafia em um mês. Poucos foram os
candidatos que passaram nas provas objetivas que estavam
treinando com afinco para o concurso. O número exíguo de
aprovados não foi nenhuma surpresa e nem se situa num
escândalo como querem apregoar. Na verdade, das pessoas que
passaram nas provas objetivas, menos de 10% sabiam o que era
taquigrafia na essência. Então, se havia 170 (cento e
setenta) candidatos para prestar a prova prática de fato
teriam apenas 17 (dezessete) candidatos com capacidade para
realizar uma prova mais rígida. O restante eram figuras
decorativas. Estavam ali fazendo número. O resultado
final é a prova inconteste dessa realidade cristalina e
irretocável, que não merece ser falseada com frases de
efeito e discursos cheios de retórica. A preparação de
afogadilho sempre foi uma praga na área taquigráfica. Não
querer reconhecer isso é mergulhar num profundo abismo.
Dessa forma não será a decoreba que salvará o praticante de
sua inevitável derrocada. O uso de convenções é um artifício
que deve ser utilizado quando necessário, não é uma
panacéia. Fazer das “convenções milagrosas” a razão de ser
da taquigrafia é um absurdo completo.
Valorize o livro didático e diga não ao uso de apostilas!
ATENÇÃO!
O conteúdo dos artigos é de responsabilidade
do autor e expressa sua visão sobre assuntos atuais. Os
textos podem ser reproduzidos em qualquer tipo de mídia
desde que sejam citados os créditos do autor.
Edições ou alterações só podem ser feitas com autorização do
colunista.
|